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Negros com ensino superior têm mais dificuldade para achar vaga qualificada

do UOL

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

20/11/2020 16h05

No Brasil, 37,9% dos homens negros e 33,2% das mulheres negras com diploma de ensino superior trabalham em cargos que não exigem o diploma, segundo pesquisa da consultoria iDados usando informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) referentes a 2020. Os números indicam que a mão de obra qualificada tem dificuldade de encontrar emprego correspondente ao seu grau de qualificação.

Trabalhadores brancos também enfrentam esse problema, mas em uma proporção menor —29,6% dos homens brancos e 27,8% das mulheres brancas são mais qualificados do que o seu cargo exige.

O levantamento usou dados do primeiro trimestre de 2020, anteriores aos efeitos da pandemia no mercado de trabalho. Segundo o estudo, entre 2015 e 2020, a quantidade de trabalhadores negros que têm o ensino superior, mas ocupam cargos de nível médio ou fundamental, foi a que mais cresceu.

Em 2015, 33,6% dos homens negros e 27,3% das mulheres negras estavam em empregos inferiores à sua capacitação.

Para a pesquisadora Ana Tereza Pires, responsável pelo levantamento, os dados são um reflexo da discriminação no mercado de trabalho

"Há estudos feitos nos Estados Unidos, por exemplo, que mostram que, ao verem nomes geralmente atribuídos a pessoas negras, os empresários nem observam a escolaridade [e descartam o candidato]. Aqui no Brasil, algo semelhante é feito, mas usando fotos. E é notório", afirmou.

Aumento na quantidade de diplomas

O levantamento mostra também que o número de negros no ensino superior cresceu muito mais que o de brancos entre 2015 e 2020.

Negros com ensino superior

  • Homens: de 1,7 milhão em 2015 para 2,7 milhões em 2020, alta de 59%
  • Mulheres: de 2,5 milhões em 2015 para 4 milhões em 2020, alta de 60%

Brancos com ensino superior

  • Homens: de 4,5 milhões em 2015 para 5,4 milhões em 2020, alta de 20%
  • Mulheres: de 5,6 milhões em 2015 para 6,8 milhões em 2020, alta de 21%

Um dos motivos para essa alta, segundo Ana Tereza, são as cotas raciais em universidades. "Isso fez com que os negros pudessem ter a oportunidade de concluir o ensino superior, com os incentivos e bolsas", declarou.

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