PUBLICIDADE
Topo

Notícias

Nos clubes de prestígio londrinos as mulheres ficam de fora

30/10/2020 08h45

Londres, 30 Out 2020 (AFP) - Na era #MeToo, uma revolta assola os clubes privados de alta elite de Londres, instituições históricas onde ministros, parlamentares e empresários se reúnem, mas muitas vezes continuam a excluir as mulheres.

Por trás de sua imponente fachada de pedra, o Garrick, um clube fundado em 1831, cultiva um charme muito inglês, de sua enorme biblioteca de madeira aos sofás de couro e grandes mesas na sala de recepção.

Neste ambiente aconchegante, os membros podem conversar e tomar um drinque no coração do bairro chique Coven Garden de Londres.

É exatamente o tipo de lugar que Emily Bendell, a empresária à frente da marca de lingerie Bluebella, procurava para expandir sua rede de contatos.

Antes de perceber que o Garrick, apesar de sua imagem "boêmia" por ser inicialmente dedicado a atores, ainda é reservado exclusivamente para homens, como uma dúzia de outros prestigiosos clubes londrinos.

"Não importaria se fosse um clube pequeno, mas é uma instituição no centro de Londres, que reúne nossos políticos, nossos juízes e as pessoas no topo de suas profissões", desabafou Bendell à AFP.

Para ela, "não há dúvida de que o avanço na carreira de muitas mulheres foi prejudicado por esses clubes antigos", acrescenta. Por isso ela decidiu levá-los à justiça.

No Reino Unido são permitidas associações entre pessoas do mesmo sexo, mas isso não se aplica a lugares que oferecem serviços. E é nisso que a advogada de Bendell pretende se basear, porque estes clubes - que procurados pela AFP preferiram não se pronunciar - têm geralmente um serviço de hotel e um restaurante, onde as mulheres podem jantar se forem convidadas.

Esses locais unissex inicialmente responderam a "uma necessidade muito específica do século 19", a era de ouro dos "clubes de cavalheiros", explica a historiadora Amy Milne-Smith, da Universidade Wilfrid Laurier.

- "Repensar as instituições" -Existe também a contrapartida feminina, mas ainda é muito menos difundida.

"Em 1886, um grupo de mulheres decidiu criar seu próprio clube", explica Alex Maitland, gerente da University Women's Club, uma das instituições mais antigas do gênero.

"Naquela época, havia principalmente clubes masculinos e, em vez de lutarem, elas diziam 'vamos fazer melhor'", explica com orgulho na biblioteca aconchegante do clube no bairro nobre de Mayfair.

Mas embora essas redes de mulheres sejam "muito importantes" para responder a situações de exclusão, de acordo com Bendell, elas não são uma solução de longo prazo quando os espaços de poder permanecem predominantemente masculinos.

Alguns clubes decidiram abrir para mulheres, como o City of London Club em 2011.

Na verdade, o Garrick Club organizou uma votação em 2015 sobre a abertura, apoiada por vários membros eminentes, como o ator Hugh Bonneville, o ministro Michael Gove e vários Lords. Mas sem sucesso, por não atingir a necessária maioria de dois terços.

cdu/acc/es/cc

Notícias