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Extrema-direita dinamarquesa quer voltar a publicar charges de Maomé

30/10/2020 10h25

Copenhaga, 30 Out 2020 (AFP) - Um partido dinamarquês de extrema direita anunciou o lançamento de uma campanha para publicar desenhos na imprensa retratando o profeta Maomé que um professor de francês havia mostrado em sala de aula alguns dias antes de seu assassinato.

"O assassinato de Samuel Paty é a origem da campanha pela qual queremos apoiar sua família e a luta pela liberdade de expressão", disse à AFP nesta sexta-feira Pernille Vermund, presidente do partido anti-imigração Nye Borgerlige (Nova Direita), que detém quatro dos 179 assentos no parlamento dinamarquês.

Em seu site, o partido político lançou uma campanha para "publicar desenhos do Charlie Hebdo em jornais dinamarqueses".

Na mídia dinamarquesa, onde os cartuns não foram republicados recentemente, a campanha gerou reações mistas.

"Nos @EkstraBladet, nos posicionaremos sobre o anúncio de @NyeBorgerlige quando o virmos. Não antes", disse Poul Madsen, editor-chefe deste tabloide no Twitter.

"Condenamos o terrorismo muçulmano e apoiamos 100% a França, os assassinados e a liberdade de expressão, mas sempre respeitando os nossos trabalhadores", acrescentou.

"Não estou totalmente certo de que será publicado, mas como política tenho a obrigação de me comprometer para que os avanços da sociedade sejam a favor de uma maior liberdade de expressão, e não menos", afirmou o deputado Vermund.

A primeira publicação dessas charges, 15 anos atrás, pelo jornal dinamarquês Jyllands Posten, provocou a ira de muitos muçulmanos em todo o mundo e manifestações violentas contra a Dinamarca.

O Islã em sua interpretação estrita proíbe qualquer representação de Maomé.

O semanário satírico francês Charlie Hebdo, como outros jornais europeus, publicou-os em 2006 para defender a liberdade de imprensa.

Em 2015, o Charlie Hebdo foi alvo de um ataque jihadista que matou 12 jornalistas e cartunistas do semanário.

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