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Covid-19: MP pedirá auditoria de testes de turistas após prisões em Noronha

Autoridades apuram se exames apresentados por turistas do Tocantins são falsos - Eduardo Vessoni
Autoridades apuram se exames apresentados por turistas do Tocantins são falsos Imagem: Eduardo Vessoni
do UOL

Colaboração para o UOL, no Recife

30/10/2020 18h22

Após o caso dos turistas do Tocantins presos por supostamente terem fraudado exames da covid-19 para terem acesso a Fernando de Noronha, ocorrido ontem, o MPPE (Ministério Público de Pernambuco) irá abrir uma investigação para apurar se outros turistas que foram para a ilha cometeram a mesma irregularidade. A informação foi confirmada com exclusividade ao UOL pelo promotor de Justiça Flávio Falcão, representante do MPPE em Noronha.

"O MP não irá apenas ficar de olho nos próximos exames que virão, como também começará a examinar aqueles testes apresentados desde a reabertura da ilha. Se houve alguém que utilizou documentação falsa, será responsabilizado da mesma forma que os outros (turistas do Tocantins presos)", explicou.

Segundo Flávio, será solicitado os nomes de todos os turistas que desembarcaram no arquipélago desde a reabertura, ocorrida em 10 de outubro sob rígidos protocolos. Com isso, a apuração será iniciada, com a colaboração da Vigilância em Saúde de Noronha.

"Será uma investigação retroativa", pontuou.

Procurada pela reportagem, a administração de Fernando de Noronha disse que "vai colaborar com a investigação".

Entenda o caso

Dois homens e duas mulheres foram presos preventivamente ontem, sob a acusação de terem falsificado exames de covid-19 para entrarem em Fernando de Noronha. Segundo a Polícia Civil, o grupo — que veio de Araguaína (TO) em um jato particular — está sendo investigado por falsificação de documento, associação criminosa e crime contra a saúde pública.

Para entrar em Noronha, o Governo de Pernambuco estabeleceu um protocolo, segundo o qual o viajante deve realizar um dia antes ou no dia da viagem o exame RT-PCR, que indica se a pessoa está com o vírus ativo no corpo. No caso dos turistas presos, eles chegaram a Noronha na quarta-feira (28) e apresentaram resultados de exames que teriam sido coletados em 25 de outubro — o que esbarra na determinação.

Uma equipe foi até a pousada onde estão hospedados para tentar coletar material para um novo teste, mas os quatro se recusaram a fazer o exame, sob a alegação de que aguardavam o resultado de um outro teste, feito no mesmo dia do embarque.

Na quinta-feira (29), segundo a administração do arquipélago, os turistas apresentaram o resultado do suposto exame, mas as datas no documento não batiam. Isso chamou a atenção da Superintendência de Saúde da ilha, que entrou em contato com o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Tocantins, que informou que a data da coleta do exame tinha sido adulterada.

O MPPE solicitou a prisão preventiva dos quatro turistas e, na noite de ontem, o juiz André Carneiro de Albuquerque Santana deferiu o pedido e decretou a prisão preventiva do grupo. Segundo a assessoria do TJPE (Tribunal de Justiça de Pernambuco), o magistrado justificou a decisão para garantir "a ordem econômica e em virtude do perigo no estado de liberdade dos investigados"

Os quatro foram levados para carceragem da Delegacia de Fernando de Noronha. Como o local não tem muita estrutura, foi concedido, posteriormente, autorização para que fiquem presos na pousada, sob custódia da Polícia Militar.

Os quatro turistas deverão realizar, ainda hoje, um novo exame RT-PCR para, enfim, saber se estão infectados ou não.

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