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Biden e Trump vão ao Meio-Oeste americano em reta final de campanha

30/10/2020 17h34

Tampa, Estados Unidos, 30 Out 2020 (AFP) - O Meio-Oeste americano é, nesta sexta-feira (30), um feroz campo de batalha política: a quatro dias das eleições presidenciais, Donald Trump e Joe Biden fazem comícios e buscam conquistar votos nessa região que acelerou a vitória republicana em 2016.

Ainda que o atual presidente apareça atrás do ex-vice-presidente Barack Obama na média das pesquisas eleitorais nacionais, a vitória de terça-feira é disputada em um punhado de estados onde a diferença se mostra muito menor.

Trump e Biden visitam vários desses estados, quando o aumento da pandemia do coronavírus, que já tirou a vida a mais de 228.000 americanos, torna as diferenças ainda mais evidentes.

Enquanto Trump, de 74 anos, realiza comícios massivos com a maioria dos participantes sem máscaras, Biden, de 77 anos, realiza eventos em que os participantes não saem do carro.

"Será um grande dia", disse Trump a repórteres ao partir para Michigan, antes de suas passagens por Wisconsin e Minnesota, para onde Biden também irá após uma primeira parada em Iowa.

Há quatro anos, Trump tirou Iowa, Michigan e Wisconsin dos democratas. Agora, Biden pretende recuperá-los.

"Não considero nada garantido", afirmou Biden, ao deixar sua cidade natal, Wilmington, Delaware.

"Trabalharemos para cada voto até o último minuto", acrescentou.

Em 2016, a candidata democrata Hillary Clinton ignorou estados que votaram nos democratas por décadas, como Wisconsin, onde ela não fez campanha.

Biden também voltou a declarar nesta sexta-feira que quer vencer em Minnesota, que não vota em um republicano desde 1972, mas onde Trump, que estava atrás de Clinton na última eleição, espera vencer.

As pesquisas mostram Biden liderando por vários pontos em Michigan, Minnesota e Wisconsin, mas com vantagem de apenas 1,3 ponto percentual em Iowa, onde Trump venceu confortavelmente nas eleições anteriores.

É a primeira vez que Biden visita Iowa desde as primárias democratas em fevereiro de 2019, quando figurou em quarto lugar.

Um número recorde de 84 milhões de americanos já votou antecipadamente, tanto por correio quanto pessoalmente.

Trump, aparentemente alheio ao avanço do vírus - que na quinta-feira ultrapassou um novo recorde nos Estados Unidos com mais de 91 mil novos casos em 24 horas - insiste em minimizar os perigos da doença e chama os democratas de "socialistas", acusando-os de querer confinar o país.

Biden, por sua vez, defende que Trump é irresponsável e busca persuadir os indecisos de que ele vai assumir o controle da pandemia e devolver o "ânimo" a um Estados Unidos polarizado e marcado pela crise da covid-19, do desemprego e por protestos contra o racismo.

- Texas com votação recorde - O Texas, um estado tradicionalmente conservador e um importante troféu eleitoral, poderia surpreender ao mudar do vermelho republicano para o azul democrata, algo que não acontece desde a vitória de Jimmy Carter, em 1976.

"Temos a oportunidade de tornar o Texas azul", disse Carter, com 96 anos, em um e-mail para arrecadação de fundos nesta sexta-feira.

Nove milhões de cidadãos texanos já votaram antecipadamente, o que significa mais do que o total de votos em toda a eleição de 2016.

No sistema de sufrágio universal indireto americano, este estado contribui com 38 dos 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para chegar à Casa Branca, o segundo maior depois da Califórnia, com 55 votos.

A companheira de chapa de Biden, Kamala Harris, planeja visitar Fort Worth, Houston e a cidade de McAllen, que faz fronteira com o México, nesta sexta-feira.

No entanto, Trump não parece estar preocupado.

"No Texas estamos indo muito bem", declarou o republicano antes de deixar a Casa Branca para os comícios.

Na quinta-feira, os dois candidatos estiveram na Flórida, onde 29 votos do Colégio Eleitoral estão em jogo.

"Em cinco dias venceremos a Flórida! Ganharemos mais quatro anos!", disse o presidente em Tampa.

Excepcionalmente, foi acompanhado por sua esposa, Melania, que falou brevemente: "Um voto para o presidente Trump é um voto por uma América melhor", disse ela.

Trump se gabou do crescimento de 33,1% do PIB, em termos anuais, anunciado horas antes.

"Estou muito feliz que aquele número fantástico do PIB foi divulgado antes de 3 de novembro", tuitou.

Mas essa taxa de crescimento, embora espetacular, foi seguida por uma queda, também histórica, de 31,4, anunciada na primavera boreal (outono no Brasil).

O crescimento foi apoiado por ajuda do governo federal, cuja maior parte já expirou.

Biden, por sua vez, atacou os resultados econômicos de Trump, que são seu ponto forte, segundo as pesquisas.

"Deixamos Donald Trump com uma economia sólida", disse ele em um evento ao norte de Miami. "E, como tudo o que ele herda, desperdiçou", disse.

Com problemas em Wisconsin e Michigan, dois estados em que venceu Hillary Clinton por pouco em 2016, Trump não pode perder na Flórida, pois sua candidatura à reeleição fracassaria.

Uma vitória de Biden ali rapidamente encerraria o suspense do dia das eleições.

No sábado, Biden prevê viajar com Obama à Michigan para, segundo sua equipe de campanha, falar sobre "como unir os americanos para responder às crises que assolam o país".

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