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Toyota Camry: por que irmão chique do Corolla é 'tesouro' entre os usados

Toyota Camry: comparamos versões 1998 e 2018

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

do UOL

Colunista do UOL

29/10/2020 04h00

Estava ansioso para testar o Toyota Camry, e finalmente consegui ficar com um nos últimos dias, o qual pude usar em diversas condições. Em todas, sem exceção, ele se saiu muito bem, mas não é perfeito. Na verdade, os pontos negativos são evidentes, como a simplicidade da multimídia e a ausência de alguns equipamentos comuns na categoria, como memória nos ajustes dos bancos e teto solar. Porém, são tantos pontos positivos que me sinto cruel em listar detalhes negativos.

Acelerar o grande 6 cilindros com 310 cv de potência faz sorrir o maior dos rabugentos. O motor tem tanta disposição que parece não ter fim. E tudo com muito silêncio e suavidade a bordo.

Tido como um dos melhores carros do mundo, vende muito bem em alguns países ricos, mas nem tanto por aqui. Ainda assim, sua reputação sempre foi das melhores entre os brasileiros.

Recente matéria publicada aqui no UOL Carros apontou que apenas 21 Camrys foram vendidos no Brasil, entre janeiro e setembro desse ano. Já nos Estados Unidos, quase 205.000 foram comercializados no mesmo período. A diferença é impressionante, mas basta olhar o preço do modelo oferecido aqui para entender o motivo dessa baixa participação nas vendas. Em pacote único, sem opcionais, custa altos R$ 277 mil.

Não tenho dúvidas que é um carro inacessível para a maioria das pessoas, mas a boa notícia é que não faltam opções de Camrys no mercado de usados, com preços bem mais atraentes e com praticamente as mesmas qualidades citadas acima. Isso porque ele é um carro que atravessou gerações sem perder sua essência.

Para provar isso, fiz um comparativo inusitado entre o Camry que estava comigo, modelo 2018, com outro bem mais antigo, 1998.

Design

Toyota Camry 1998 x 2018 - Felipe Carvalho/UOL - Felipe Carvalho/UOL
Imagem: Felipe Carvalho/UOL

Para quem se preocupa com a imagem que o carro passa, andar em um carro japonês de 22 anos não é nada atrativo. Nesse ponto, temos que respeitar a idade do projeto de cada um, mas é evidente que o Camry 2018 chama mais atenção e desperta mais interesse nas pessoas.

Enquanto o 1998 parece ter sido desenhado com uma régua, o 2018 abusa das curvas e dos vincos, que faz a carroceria parecer ser maior do que já é. O aro das rodas é outro ponto distinto entre eles. Enquanto o mais antigo usa rodas de 15", com pneus de perfil alto, o mais novo usa rodas de 18", com pneus de perfil baixo.

Mecânica

Toyota Camry 2018 x 1998 - Felipe Carvalho/UOL - Felipe Carvalho/UOL
Imagem: Felipe Carvalho/UOL

Ambos usam motores com 6 cilindros em V e transmissão automática. Suspensão independente e freios a disco nas 4 rodas com ABS também estão presentes nos dois. O que difere é a idade do projeto.

O motor do 1998 é de 3 litros com 24 válvulas e o câmbio tem apenas 4 marchas. No caso do 2018, o motor é um pouco maior, de 3,5 litros, também com 24 válvulas, mas com variação de fase e dois tipos de injeção, direta e indireta. O câmbio tem o dobro de marchas e também conta com opção de trocas manuais. Os freios do 2018 são bem maiores, e certamente não caberiam nas rodas de 15" do 1998, que por sua vez utiliza sistema de ABS mais simples, com apenas 3 canais.

Segurança

Toyota Camry 2018 - Felipe Carvalho/UOL - Felipe Carvalho/UOL
Imagem: Felipe Carvalho/UOL

Por ser um carro de uma categoria de luxo, o Camry sempre foi considerado um carro muito seguro para os ocupantes. O modelo 2018 tem vários airbags, inclusive para o joelho do motorista, além de contar com controles de estabilidade e tração. Ele até poderia ter outros recursos tecnológicos, como sensores de ponto cego, leitura de faixas e alertas de colisão, itens presentes no Corolla. Mas não tem e, honestamente, não fizeram falta para mim.

Já o 1998 obviamente é mais simples, mas surpreende no número de airbags, já que possui os laterais dianteiros, algo indisponível em muitos carros atuais vendidos no Brasil. Nos bancos traseiros, ambos contam com apoios de cabeça e cintos de segurança de 3 pontos para todos. O 2018 acrescenta a ancoragem Isofix, inexistente nos anos 90.

Conforto interno

Toyota Camry 1998 - Felipe Carvalho/UOL - Felipe Carvalho/UOL
Imagem: Felipe Carvalho/UOL

É aqui o ponto que eles se equivalem. O Camry parece ter nascido para tratar bem seus ocupantes, algo que faz com maestria. Ele mais parece um tapete voador, encarando buracos, valetas e remendos como se estivesse em uma estrada lisa. Porém, se eu tivesse que classificá-los, o 1998 é ainda mais confortável no rodar, justamente por conta dos pneus com perfil mais alto, responsáveis por absorver boa parte dos impactos.

O acabamento é de primeira, com materiais suaves ao toque e bancos macios, mesmo sendo de couro. Ar-condicionado é digital e automático em ambos, mas somente o 2018 conta com regulagens individuais para o passageiro da frente e para os do banco traseiro, que inclusive contam com controles no descana braço e telas de proteção nas janelas.

O modelo mais antigo conta com teto solar e aquecimento nos bancos dianteiros, itens que infelizmente a Toyota não disponibiliza no atual Camry vendido aqui.

Vale a pena comprar um Camry antigo

Toyota Camry 1998 - Felipe Carvalho/UOL - Felipe Carvalho/UOL
Imagem: Felipe Carvalho/UOL

O Toyota Camry é um carro robusto e, como todo bom japonês, tem baixa manutenção. Com o passar dos anos, o maior problema desses carros são os donos, que negligenciam a manutenção preventiva e acumulam problemas em seus veículos.

Para esse comparativo, usei um exemplo em raras condições, ou seja, o leitor vai ter muita dificuldade para encontrar um Camry 98 como esse. Porém, não precisa ir tão longe. Se quiser ficar no meio-termo e ir atrás de um Camry com cerca de 10 anos de uso, vai conseguir ótimas opções entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. O melhor de tudo é que esses estão mais próximos do atual em termos de tecnologia e segurança.

Adianto que o custo de manutenção não é tão alto como se imagina. Donos de Camrys falam que, no geral, não é muito diferente do custo de manutenção de um Corolla. Assim como o seguro, que é pagável considerando a idade do carro. Como exemplo, cotei o seguro de um Camry 2011 no meu perfil e o valor ficou em torno de R$ 3 mil.

Quanto ao mercado, ele é surpreendentemente bom. Quem tem um bom Camry nas mãos não tem dificuldades para encontrar um novo dono para ele. Dificuldade mesmo será querer se desfazer do carro, assim como foi difícil para mim devolver o que testei nesses dias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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