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Primeiro mandato de Trump: folha de resultados

29/10/2020 12h04

Washington, 29 Out 2020 (AFP) - Donald Trump se gaba que "nenhum governo" conseguiu mais do que o seu durante seu primeiro mandato como presidente.

Mas, deixando de lado sua resposta à pandemia do coronavírus - uma crise maior na qual, segundo as pesquisas de voto, ele não esteve à altura -, como foram os êxitos do presidente republicano?

1. O muro"Construir o muro" é um mantra que ajudou o magnata republicano a ser eleito, como símbolo de seu compromisso - muito popular entre seus apoiadores - de reforçar a fronteira entre Estados Unidos e México e, desse modo, reduzir a imigração ilegal.

Conseguiu?

Um pouco.

A Agência de Alfândega e Fronteiras dos EUA afirma que 595 km de muro estão completos em uma fronteira que se estende por 3.145 km. No entanto, há uma ressalva: quase toda essa extensão vem de reparos ou acréscimos às barreiras já existentes, portanto, não é realmente um novo muro.

Sim, as detenções de imigrantes sem documentos aumentaram (e as admissões de refugiados diminuíram). Mas enquanto Trump prometeu deportar três milhões de imigrantes sem documentos, apenas metade desse número já foi embora.

E não, o México não está pagando pelo muro, como diz Trump.

2. "America First" "America First" ["Estados Unidos primeiro"] é o slogan nacionalista de Trump, que descreve uma política de diplomacia unilateral, protecionismo, guerras comerciais e que pretende forçar o mundo a "respeitar" os Estados Unidos.

Conseguiu?

Em andamento.

Inclusive muitos de seus críticos aplaudiram secretamente Trump quando enfrentou a China pelas injustas vantagens comerciais do gigante asiático.

Mas, apesar da relação intensa do presidente republicano com o líder chinês Xi Jinping, a "fase um" de seu acordo comercial deixou resultados mitigados.

Embora a China tenha aderido a um acordo para comprar mais produtos agrícolas americanos, as tarifas de importação ainda são seis vezes mais altas do que antes do início da guerra comercial em 2018, afirma o Instituto Peterson para a Economia Internacional. Isso representa danos para as empresas com sede nos Estados unidos.

Além disso, os sócios comerciais adotaram represálias contra o protecionismo dos Estados Unidos com impostos compensatórios sobre bens como o bourbon e os produtos agrícolas, forçando Washington a gastar milhões em auxílios aos agricultores.

O déficit comercial dos Estados Unidos chegou quase aos 577 bilhões de dólares no ano passado, o que significa um crescimento de cerca de 100 bilhões em relação ao último ano do governo de Barack Obama.

Uma abordagem semelhante no campo diplomático também rendeu resultados mistos.

Trump rompeu com um complexo acordo internacional para monitorar as instalações nucleares iranianas em troca da suspensão das sanções. Isso enfureceu os aliados europeus e também não gerou o que muitos pensavam ser o objetivo real de Trump: uma mudança de governo em Teerã.

3. Acabar com guerras 'estúpidas'Parte do atrativo de Trump para seus eleitores foi sua promessa de que acabaria com as aventuras militares dos Estados Unidos posteriores ao 11 de setembro, o que ele chama de guerras "estúpidas".

Conseguiu?

Sim e não.

Os críticos do milionário conservador temiam que um líder sem experiência e temperamental iria se meter nos conflitos. Mas ele não o fez.

Apesar de uma troca inicial de insultos com o líder norte-coreano Kim Jong Un, Trump não só evitou a guerra, como também tomou ações sem precedentes para a reconciliação, incluindo entrar na Coreia do Norte para encontrar-se com Kim.

As negociações de paz apoiadas pelos Estados Unidos entre o governo afegão e os talibãs continuam em andamento, aumentando as possibilidades de alcançar uma retirada completa das tropas americanas após duas décadas.

Além disso, há uma série de acordos alcançados entre Estados de maioria muçulmana, como Emirados Árabes e Sudão, para estabelecer relações com Israel, como parte de um impulso favorável aos israelenses para isolar o Irã e a Palestina.

No lado negativo, a Coreia do Norte não recuou em seu programa de armas nucleares. A violência continua em altos níveis no Afeganistão e também não há previsões de uma retirada total do Iraque.

Na Síria, a saída de uma quantidade pequena mas estrategicamente localizada das tropas americanas permitiu à Rússia consolidar sua influência no governo sírio.

4. Maior economia da históriaTrump prometeu levar senso comercial à Casa Branca e frequentemente reivindica ter construído "a maior economia" da história.

Conseguiu?

Depende de até que ponto.

O mercado financeiro registrou altas repetidas, inclusive recuperando-se em grande medida da drástica queda após o início da pandemia de coronavírus.

Mas o crescimento mais forte do PIB foi de 3%, semelhante ao desempenho de Obama e muito longe dos recordes históricos nacionais.

A favor de Trump, o desemprego registrou seu menor nível mais baixo em 50 anos quando caiu até o 3,5% em dezembro de 2019. Números revisados um mês depois indicaram, entretanto, que o crescimento do emprego desacelerou nos primeiros três anos de governo de Trump, enquanto a pandemia de coronavírus deixou milhões de pessoas sem trabalho.

Quanto à promessa de Trump de restaurar a produção, o emprego industrial aumentou ao mesmo ritmo que com Obama, de mãos dadas até a chegada da pandemia.

5. JuízesTrump gosta de dizer que a função mais importante de um presidente pode ser a de nomear juízes federais, cargos vitalícios que moldam a política e a sociedade em muitos aspectos.

Conseguiu?

Sim e bastante.

Todo presidente tem a oportunidade de preencher os cargos vagos de juízes, mas os republicanos de Trump trabalharam especialmente rápido. Segundo o Pew Research, o magnata conservador nomeou 24% de todos os juízes ativos atualmente.

Em particular, designou 53 poderosos magistrados dos tribunais de apelação - um nível abaixo da Suprema Corte -, comparado com os 30 designados por Obama no mesmo período de sua presidência.

Com a confirmação de Amy Coney Barrett no Senado na segunda-feira, Trump colocou seu terceiro magistrado na Suprema Corte, inclinando substancialmente o equilíbrio dos nove juízes do alto tribunal para a direita, por muitos anos que estão por vir.

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