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Fogo em hospital: Filho vai à Justiça: 'Levaram ela por escada em lençol'

Enterro de Núbia da Silva Rodrigues, morta em incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso - Tatiana Campbell/UOL
Enterro de Núbia da Silva Rodrigues, morta em incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso Imagem: Tatiana Campbell/UOL
do UOL

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

29/10/2020 12h10

A família de Núbia da Silva Rodrigues, 42, disse que vai à Justiça contra o Hospital Federal de Bonsucesso após a morte da técnica radiologista, que estava em estado grave com covid-19. No enterro ocorrido hoje no Rio, o filho dela, Patrick da Silva Pinheiro Machado, 23, afirmou que Núbia foi vítima de negligência e questionou o socorro prestado à mãe durante o incêndio.

"A gente vai buscar os nossos direitos, porque a gente perdeu uma esperança. Vamos entrar na legalidade e vamos fazer justiça pela vida dela", disse. Patrick contou que Núbia —que estava intubada— foi transferida pelas escadas em um lençol. O incêndio deixou quatro pacientes mortos —ao menos três deles dependiam de aparelhos e não sobreviveram após transferência.

Patrick Machado criticou o socorro adotado pelo hospital em vista do estado delicado da mãe.

"Isso foi uma negligência, porque enquanto ela estava intubada, estava bem. Muitas pessoas já tiveram 100% do pulmão comprometido e voltaram. A gente não teve essa esperança, porque perdemos isso quando teve esse incêndio. Os médicos até tentaram fazer o possível, mas essa parte administrativa do hospital deixou a desejar", disse Patrick.

Ela não aguentou o transporte, foi tudo muito rápido e repentino. O prédio 1 é só escada, não tem rampa. Como o elevador já estava parado, porque já não tinha mais energia, eles tiveram que levar ela em um lençol pela escada

Patrick da Silva Pinheiro Machado, filho de Núbia

29.out.2020 - Parentes e amigos no sepultamento de Núbia Rodrigues - Tatiana Campbell - Tatiana Campbell
29.out.2020 - Parentes e amigos no sepultamento de Núbia Rodrigues
Imagem: Tatiana Campbell

Enterro

Hoje pela manhã familiares e amigos de Núbia Rodrigues estiveram no enterro da radiologista.

O sepultamento aconteceu no Cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio, com caixão fechado e sem velório, já que Núbia foi diagnosticada com coronavírus. Cerca de 30 pessoas estiveram presentes.

Um amigo da família, que não se identificou, pediu forças para enfrentar esse momento.

"O tempo que ela viveu aqui, ela fez a diferença. Vamos lembrar só do sorriso dela. O Patrick [filho de Núbia] não está sozinho. Só peço forças para que Deus console nossos corações. Um momento muito difícil pra gente."

Filho único, Patrick Machado lembrou com carinho da mãe.

"Eu não via minha mãe desde sexta [23], quando internamos ela no Bonsucesso. Minha mãe era uma pessoa alegre, tinha um bom coração, o que você precisasse, ela estava ali pra você. Não tinha tempo ruim pra ela, uma pessoa de sorriso largo. Uma boa mãe, amiga", disse Patrick.

Primeira morte confirmada

Núbia foi a primeira morte confirmada pela direção do Hospital Federal de Bonsucesso. Ela estava internada no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) da ala de coronavírus.

Ela deu entrada no hospital, no ultimo dia 23, com 75% do pulmão comprometido em decorrência da covid-19. Três dias depois, precisou ser intubada. Na manhã seguinte, o prédio 1 do hospital pegou fogo.

A técnica radiologista sofreu uma parada cardíaca durante a transferência entre os prédios do hospital e não resistiu.

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