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Trio com 133 kg de maconha solto por juiz foi recapturado a caminho de RO

23.out.2020 - Tabletes de maconha apreendidos pela polícia com trio em Fiat Uno, na região de Guararapes (SP) - Divulgação
23.out.2020 - Tabletes de maconha apreendidos pela polícia com trio em Fiat Uno, na região de Guararapes (SP) Imagem: Divulgação
do UOL

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

28/10/2020 12h34Atualizada em 28/10/2020 14h04

O trio que havia sido detido transportando 133 kg de maconha, mas solto pela Justiça no dia seguinte, foi recapturado ontem pela PM (Polícia Militar) na rodoviária de Guararapes (SP) com passagens de ônibus para Rondônia em mãos.

O casal Fredson Carvalho de Lima, 35, e Julliane Sabrina Tavares de Souza, 22, afirmam ter residência na capital do estado, Porto Velho. Já Suzana Nogueira da Silva, 35, disse para as autoridades paulistas morar em Dourados, em Mato Grosso do Sul.

Os três foram presos na rodovia Marechal Rondon, em Guararapes, na noite de sexta-feira (23). Segundo a polícia, Fredson confessou que levaria a droga de Ponta Porã (MS) até Ribeirão Preto (SP) para receber R$ 15 mil.

O local de moradia do trio foi um dos argumentos utilizados pelo desembargador Julio Caio Farto Salles ao pedir a recaptura e prisão deles na tarde de ontem. "Próximos à fronteira com outros países, a indicar risco concreto à instrução processual, diante da plausível probabilidade de evasão do grupo", escreveu.

Em nota, a PM afirmou que os três foram presos novamente no início da noite de ontem no terminal rodoviário. "De onde pretendiam partir com destino a Rondônia", disse a corporação.

Em depoimento à Polícia Civil, os três reservaram o direito de permanecer em silêncio. De acordo com a PM, Fredson confessou o crime, mas as duas mulheres afirmaram que não sabiam que a droga estava sendo transportada. O UOL não conseguiu localizar a defesa deles.

Além dos três, havia no carro dois filhos de Fredson, um menino de 1 ano e uma menina de 3 meses de vida. As crianças foram entregues ao conselho tutelar.

Os PMs envolvidos na ocorrência afirmaram na delegacia de Guararapes que os bancos do veículo estavam recheados de tabletes de maconha, assim como o carpete e que "o cheiro era insuportável". Por isso, eles afirmaram que as mulheres, na verdade, sabiam o que era levado. Eles disseram, ainda, que decidiram parar o carro porque o motorista esboçava "certo grau de nervosismo".

No dia seguinte à prisão, o juiz plantonista Marcílio Moreira de Castro, da Comarca de Araçatuba, determinou a soltura do trio e afirmou que ocorreu uma "prisão em flagrante ilegal, por não cumprir os requisitos previstos no ordenamento jurídico" e que "certo grau de nervosismo" não deveria ser considerado suspeito.

O magistrado afirmou que não havia fundada suspeita para a abordagem, que a averiguação, nessas condições, só poderia ter sido feita mediante mandado de busca e apreensão que a ocorrência foi apresentada na delegacia sem testemunhas que pudessem comprovar a veracidade do que os PMs diziam.

Ainda no sábado, o promotor Cláudio Rogério Ferreira recorreu. Ele defendeu a recaptura e prisão do trio e argumentou que "todos os autuados sabiam da presença da droga e direcionaram seus propósitos para o transporte da droga, para fim de entrega ao consumo de terceiros".

Na tarde de ontem, o desembargador Julio Caio Farto Salles concordou com a posição do promotor e determinou a prisão dos três. "Sequer caberia ao juiz plantonista realizar análise fática mais aprofundada ou mesmo questionar o 'grau' de nervosismo demonstrado pelos agentes, situação a ser melhor perquirida pelo juiz natural da causa", disse.

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