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Pandemia acelerou mudanças tecnológicas e impõe desafios, dizem especialistas

28/10/2020 15h07

São Paulo, 3 nov (EFE).- A pandemia do novo coronavírus, que neste ano afetou os setores da sociedade e da economia, também acelerou as mudanças tecnológicas em curso e impõe mais desafios para 2021, segundo engenheiros e especialistas de diferentes áreas reunidos em um seminário virtual no Brasil.

"A pandemia acelerou os processos tecnológicos que vinham sendo adotados progressivamente", disse o doutor em ciência da computação Luis Lamb durante o seminário organizado pela seção brasileira do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), que reúne 420.000 profissionais de 160 países.

POSICIONAMENTO DA TELEMEDICINA.

Segundo Jacob Scharcanski, professor do Instituto de Informática Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a telemedicina pode ser utilizada, em áreas urbanas, para a realização de consultas nas quais internistas fazem uma avaliação inicial dos pacientes, à distância.

Dessa forma, é possível encaminhar os doentes para serviços de maior complexidade ou mais especializados, quando necessário, além de reduzir as filas de espera presenciais e "evitar o deslocamento de pacientes que estão em comunidades remotas", destacou o especialista.

"Tecnologias que agilizam o atendimento, como a teleconsulta, eram vistas com reservas, mas, devido ao isolamento social, tornaram-se bem aceitas pela comunidade médica e pelos usuários", acrescentou Scharcanski.

Durante o seminário de dois dias de duração, que discutiu os desafios da engenharia no novo cenário mundial, Scharcanski mencionou também o uso de dispositivos móveis para monitorar, remotamente, pacientes idosos e doentes crônicos, reduzindo, assim, as taxas de readmissão no sistema de saúde.

Além disso, para o professor, é fundamental facilitar o acesso ao serviço básico de saúde, já que esse é um dos principais gargalos do sistema brasileiro.

"Cerca de 80% dos casos poderiam ser resolvidos já nas unidades básicas de saúde, e somente aqueles que precisam de cuidados mais especializados seriam encaminhados para os serviços de maior complexidade", disse à Agência Efe Scharcanski, que também defendeu o uso de "tecnologias que aumentam o valor do sistema para o usuário final", como o prontuário eletrônico, que agilizaria o atendimento.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL.

Lamb disse, por sua vez, que a inteligência artificial foi intensificada pelo "treinamento" e "adaptação" de máquinas, que devem estar mais preparadas para "situações de improvisação e adaptabilidade" que exigem "mais raciocínio do que previsão".

"Com a pandemia, o valor da ciência e da tecnologia foi aumentado por seu uso massivo, não apenas para enfrentar os desafios da saúde, mas também para o trabalho remoto e digital", afirmou à Efe o doutor em ciência da computação.

A "resistência" à inteligência artificial, que antes era vista como "ficção científica", agora é uma "ferramenta aliada" também para a recuperação econômica", na qual as empresas que "dominam a tecnologia" passaram a ter o mesmo peso daquelas que exploram recursos ou comercializam serviços, ressaltou o especialista.

SEGURANÇA VIRTUAL.

Marcos Simplício, professor de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), por sua vez, destacou a importância que sua área assumiu durante a pandemia, devido ao aumento do número de pessoas e empresas que tiveram que se adaptar e entrar no mundo virtual.

"Nunca se comprou tanto com o comércio eletrônico, e a covid-19 criou uma grande preocupação que antes só era sentida em retrospectiva quando os problemas surgiam. Na pandemia, houve um aumento de 80% nos ataques através de sites falsos e um aumento de 60% nas fraudes financeiras, especialmente contra idosos", afirmou.

Para Simplício, o uso da nuvem para prevenir ataques cibernéticos e a educação dos usuários são alguns dos "mecanismos de proteção" que devem ser adotados "imediatamente".

INTERNET 5G E TELETRABALHO.

O engenheiro Raúl Colcher, por sua vez, destacou que a quinta geração da telefonia móvel (5G) revolucionará a chamada "Internet das Coisas (IoT)" através do uso de robôs em hospitais e fábricas, que com a pandemia começaram a implementar o trabalho remoto para alguns de seus profissionais.

De acordo com Paulo Miyagi, professor de engenharia mecatrônica da USP, em 2021 o ensino terá que ser feito em parte à distância e em parte presencial, e com isso serão necessários recursos tecnológicos. Nesse cenário, a tecnologia 5G facilitará a velocidade da conexão à internet.

VEÍCULOS ELÉTRICOS E ENERGIAS ALTERNATIVAS.

Os carros elétricos, segundo os especialistas Édson Watanabe e Cyro Boccuzzi, e as fontes alternativas de energia, como a solar e a eólica, como explica Maurício Salles, voltaram a ganhar força durante a pandemia, complementando as necessidades de mobilidade e automatização de outras áreas.

Boccuzzi, presidente do Fórum Latino-americano de Smart Grid - as redes inteligentes de distribuição e transmissão de energia elétrica que utilizam recursos digitais e da Tecnologia da Informação -, explicou que, diante da alta demanda de energia, a identificação do consumidor final permitirá a adequação de diferentes sistemas que melhor se adaptem a suas necessidades.

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