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Banco Central deverá manter Selic em 2%; decisão sai amanhã

Banco Central - Shutterstock
Banco Central Imagem: Shutterstock

Da AFP, em Brasília

27/10/2020 22h06

Espera-se que o Banco Central do Brasil (BCB) mantenha amanhã sua taxa básica de juros em 2% —seu mínimo histórico—, diante da necessidade de manter os estímulos pelo impacto econômico do novo coronavírus e em um contexto de inflação ainda controlada, afirmaram analistas.

"A nossa expectativa é que o Copom decida a manutenção da taxa de juros. Primeiro porque ainda existe uma necessidade de estímulo econômico e tem um nível de inflação projetado ainda dentro das metas", explicou à AFP Alex Agostini, da Austin Rating.

Os operadores preveem, ainda, que a Selic seja mantida em 2% pelo menos até o fim do ano e que no próximo se situe em 2,75%.

Em sua reunião de setembro, o BCB já tinha mantido sua taxa de referência em 2%, interrompendo um ciclo de novos cortes.

Na ocasião, o Copom reafirmou que a conjuntura prescrevia um estímulo monetário extraordinariamente elevado, alegou prudência para avaliar o impacto fiscal das medidas de recuperação econômica frente à pandemia e disse que esta situação não mudaria a não ser que as expectativas de inflação mudassem para cima.

O índice IPCA-15 de outubro, divulgado pelo IBGE, e considerado uma prévia da inflação oficial, registrou 0,94% para outubro, acima do esperado pelos mercados. É o maior nível para este mês desde 1995 e a maior alta mensal desde dezembro do ano passado.

Na última pesquisa semanal Focus, do BCB, os economistas revisaram para cima suas previsões de inflação para 2020, de 2,65% a 2,99%, ainda muito abaixo do teto da meta, de 4%, mas acima do piso, de 2,5%.

"Para o BC, ainda é muito cedo. Ele já deu declarações que não tem intenção de subir a taxas de juros agora, que vai analisar a questão da inflação para ver se vai ser forte ou é o momento da inflação estar forte, mas vai reduzir", afirmou Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.

Para Lattus, a inflação continuará ganhando força nos próximos meses, devido sobretudo ao aumento das exportações do agronegócio, estimuladas pela forte depreciação do real, e isso pode levar o BC a decidir ajustar um pouco a alta da taxa Selic nas próximas reuniões.

"Com a corda no pescoço"

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, avalia que, levando em conta o aumento da inflação e uma melhora nas expectativas da evolução do PIB brasileiro, é provável que o Copom dê algum sinal no comunicado de quarta-feira de que haverá uma mudança de rumo em um futuro próximo.

O Brasil entrou em recessão no segundo trimestre, com uma contração recorde do PIB de 9,7%.

Mas no começo de outubro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a previsão para a maior economia da América Latina este ano, de uma contração de 9,1%, antecipada em junho, para uma queda no PIB de 5,8%.

Segundo Agostini, a recuperação está sendo mais rápida do que o esperado, pois as medidas oficiais de estímulo, entre elas o auxílio emergencial concedido pelo governo a mais de 60 milhões de brasileiros, os cortes fiscais e os créditos mais baratos.

"A dúvida é se isto vai ser mantido no ano que vem porque o governo tem um limite de gasto fiscal e está com a corda no pescoço", com uma dívida pública que se aproxima de 100% do PIB, acrescentou.

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