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Muçulmanos na França são como judeus antes da Segunda Guerra, diz Erdogan

26/10/2020 10h34

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta segunda-feira (26) à população do seu país que boicote os produtos franceses. Ele também comparou a situação dos muçulmanos na França à dos judeus antes da Segunda Guerra Mundial e acusou alguns dirigentes europeus de nazismo e fascismo.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta segunda-feira (26) à população do seu país que boicote os produtos franceses. Ele também comparou a situação dos muçulmanos na França à dos judeus antes da Segunda Guerra Mundial e acusou alguns dirigentes europeus de nazismo e fascismo.

As declarações acontecem dois dias depois de Erdogan dizer que o presidente francês, Emmanuel Macron, era "doente mental" por promover um "separatismo islâmico", após declarações do chefe de Estado a respeito da publicação de caricaturas de Maomé, na sequência do brutal assassinato do professor Samuel Paty, decapitado perto de Paris por um terrorista. De acordo com Erdogan, "uma campanha de linchamento parecida com a que foi feita contra os judeus antes da Segunda Guerra Mundial está sendo organizada contra os muçulmanos".

Ele também pediu à população o boicote dos produtos franceses. "Assim como na França alguns dizem 'não comprem as máscaras turcas', peço que não comprem produtos de marcas francesas", disse Erdogan em um discurso em Ancara. O chefe de Estado turco ainda exortou a Europa a interromper a campanha de "ódio de Macron contra os muçulmanos".

No fim de semana, Erdogan também acusou o líder francês de ser "obcecado por ele dia e noite". Segundo o presidente turco, o Macron "precisava se submeter a exames mentais". 

Nesta segunda-feira (26), a chanceler alemã, Angela Merkel, comentou a troca de farpas entre os dois e condenou as "declarações difamatórias" de Erdogan.

A origem da polêmica está nas declarações feitas pelo presidente francês na semanda passada, durante a homenagem nacional ao professor assassinado Samuel Paty. Na ocasião, em uma cerimônia na Sorbonne, ele prometeu que a França não renunciaria às caricaturas e à liberdade de expressão.

Macron apresentou um plano no sábado (24) de luta contra o "islamismo radical", que prevê a criação de um projeto de lei visando "aqueles que negam as leis da República em nome da religião". O plano foi interpretado por muitos países como um ataque contra os muçulmanos e gerou uma campanha de boicote de produtos franceses, retirados dos supermercados em Doha, Catar e Jordânia. 

A França pediu aos governos dos países muçulmanos que "parassem" com os apelos ao boicote e solicitou também que eles "garantissem a segurança dos franceses que vivem em seus territórios".  O presidente francês publicou um tuíte neste domingo (25) garantindo que a França valoriza a  "liberdade, igualdade, e fraternidade" e que "nada fará o país recuar". A mensagem foi postada também em árabe e em inglês.

Tensão cresceu no fim de semana

A tensão entre Paris e Ancara cresceu no fim de semana. Horas depois das declarações de Erdogan sobre a saúde mental de Macron, a presidência francesa criticou "a ausência de mensagens de condolências e de apoio do presidente turco" após o assassinato do professor Samuel Paty, decapitado na saída de sua escola, em Yvelines, na região parisiense.

O Ministério turco das Relações Exteriores assegurou, neste domingo (25), que o embaixador da Turquia na França enviou suas condolências. O órgão divulgou um comunicado afirmando que a Turquia "luta há anos contra todo tipo de terror e violência, e estava triste com a morte de Samuel Paty".

Em um tuíte publicado em 17 de outubro, o embaixador da Turquia na França, Ismail Hakki Musa, se disse "horrorizado" com o assassinato de Paty. 

Paquistão convoca embaixador francês

Paralelamente, as autoridades paquistanesas convocaram nesta segunda-feira (26) o embaixador da França no país, Marc Barety, um dia depois do primeiro-ministro do país acusar o governo francês de "organizar um ataque contra o Islã".  

A convocação foi confirmada em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores paquistanês. O texto condena "a campanha islamofóbica sistemática, conduzida sob o pretexto da defesa da liberdade de expressão".

Com informações da AFP

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