PUBLICIDADE
Topo

Notícias

Ex-marqueteiro do PT: Lava Jato foi o melhor esquema político de marketing

João Santana, ex-marqueteiro do PT, foi condenado por lavagem de dinheiro na Lava Jato - Reprodução/TV Cultura
João Santana, ex-marqueteiro do PT, foi condenado por lavagem de dinheiro na Lava Jato Imagem: Reprodução/TV Cultura
do UOL

Do UOL, em São Paulo

26/10/2020 23h56Atualizada em 27/10/2020 12h30

O publicitário João Santana, em entrevista ao Roda Viva da noite de hoje, declarou que a Operação Lava Jato teria levado prêmios de "marketing político e eleitoral" entre 2015 e 2017 caso as premiações existissem. A entrevista de hoje foi a primeira concedida por ele desde a sua prisão, em 2016, após ser condenado pela operação que critica.

A Lava Jato foi o melhor esquema político de marketing já montado no Brasil. Se tivesse um prêmio de marketing político eleitoral, a Lava Jato teria levado o tricampeonato: 2015, 2016 e 2017
João Santana

Responsável pelas campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), ele declarou que a operação utilizou "vertentes perigosíssimas da comunicação política".

A Lava Jato, querendo ou não, alimentou a rede de ódios. Tinha matéria-prima, mas não interessa a matéria-prima, estou falando do processo em si. A máquina de ódio foi alimentada
João Santana

Ele declarou, no início da entrevista, que o mérito da Lava Jato foi "ter colocado o dedo mais fortemente sobre a questão do caixa dois", no entanto "localizado em poucos fornecedores".

"Campanha 'Ele não' foi erro tático"

Santana analisou a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018 e afirmou que, embora o presidente seja, sim, um "fenômeno eleitoral", ele não contrariou lógicas de campanha, mesmo com apenas 18 segundos de propaganda eleitoral gratuita na TV. Ele citou um exemplo de exposição contínua com a facada sofrida pelo então candidato enquanto cumpria agenda em Juiz de Fora (MG), a um mês do primeiro turno, e também a campanha "Ele não", que manteve o nome do candidato em alta no noticiário.

Ele começa o horário eleitoral com 20%, entra e tem a maior exposição possível por causa do absurdo trágico e abominável que foi o atentado contra a vida dele. Depois ainda tem, vai ficar polêmico, ainda tem um erro tático: o "Ele não". Aí ele vai para o segundo turno e a exposição é igual, foi esse fenômeno
João Santana

O publicitário enumerou outras questões, como o fato de Lula, então considerado o candidato mais forte, ter sido preso e apresentar candidatura indeferida. Ele também mencionou a escolha de Geraldo Alckmin (PSDB) como "pior candidato" que o partido poderia colocar.

Bolsonaro desde 2010 estava se mexendo, era uma máscara estranha em busca de um tempo estranho. Em 2016, ele começa a fazer campanha, ele se torna o primeiro candidato independente da história politica brasileira porque não tinha partido, não tinha amarras internas, começa a fazer campanha com uso muito inteligente das redes sociais e aproveitando toda a onda anti-petista
João Santana

O marqueteiro na Lava Jato

O publicitário João Santana foi acusado, junto de sua mulher, Mônica Moura, de participação em esquema de corrupção envolvendo contratos ilícitos da Odebrecht e da Petrobras que teriam beneficiado o PT.

Os dois foram condenados a sete anos e seis meses de prisão por diversos crimes de lavagem de dinheiro. Ambos tiveram as penas substituídas por 160 dias de prisão em regime fechado após fecharem acordo de delação premiada, homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O casal admitiu, em mais de uma ocasião, o uso de caixa dois — prática de pagamentos não declarados ao fisco.

Notícias