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Argélia, Tunísia e Líbia superam marca de 150 mil casos de Covid-19 juntas

26/10/2020 18h16

Nacera Ouabou, Argel, 26 out (EFE).- O número de casos de Covid-19 ultrapassou a barreira dos 150 mil em Tunísia, Líbia e Argélia de forma conjunta, com os casos de infecção pelo novo coronavírus se multiplicando novamente depois de mais de dois meses de queda.

A situação é especialmente preocupante na Líbia, país com cerca de 6,7 milhões de habitantes e que confirmou 1.639 contágios nas últimas 24 horas, o maior aumento desde o início da pandemia, em março deste ano.

De acordo com o Centro Nacional de Controle de Doenças da Líbia, ligado ao governo pactuado pela ONU em Trípoli, até o ultimo domingo (25), tinham sido registrados 56.013 diagnósticos de Covid-19 e 795 mortes desde o início da pandemia, Além disso, cinco óbitos foram contabilizados apenas ontem.

Desde março, as autoridades líbias tomaram uma série de medidas para conter a expansão do vírus, como o fechamento das fronteiras do país, assim como de escolas e mesquitas; a proibição de reuniões públicas; e a adoção do toque de recolher.

Mesmo assim, a fragilidade do sistema de saúde do país africano, destruído durante mais de 10 anos de guerra civil; somada às duras condições de vida da população, submetida a prolongados cortes diários no fornecimento de energia elétrica, gás e água encanada; e a falta de remédios e eqyipamentos de proteção, como máscaras, dificultam o controle da pandemia.

Especialistas do setor da saúde também afirmam que o número de casos deve ser muito maior do que os números indicam, já que os testes de detecção do novo coronavírus são escassos e, dificilmente, são realizados em grupos de risco que vivem constantemente expostos a aglomerações, como os migrantes.

Além disso, é desconhecida a verdadeira situação sobre a propagação do vírus no leste da Líbia, região que se encontra sob o controle do marechal Khalifa Hafter, governante não reconhecido oficialmente.

SITUAÇÃO DRAMÁTICA NA TUNÍSIA.

Na Tunísia, o governo endureceu as restrições de circulação de pessoas depois que o país registrou 3.024 novos casos de Covid-19 nas últimas 48 horas e 58 mortes, elevando o total de óbitos até o dia 25 de outubro para 887, número que no final de julho era apenas 50.

"Nesse ritmo, não haverá mais leitos disponíveis nos hospitais no final de outubro", alertou o porta-voz do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus, Habib Ghedira, nesta segunda-feira.

Em declarações à imprensa local, o médico revelou que o comitê pretende apresentar novas propostas, que incluem o confinamento obrigatório para cidadãos maiores de 65 anos e a limitação de viagens entre cidades e províncias.

"É preciso fortalecer os recursos humanos nos hospitais, num momento em que o número de socorristas no setor público, peça fundamental no atendimento aos pacientes com coronavírus, não passa de 160", acrescentou Ghedira.

Oficialmente, a Tunísia, que tem 11 milhões de habitantes, registrou 48.799 infecções pelo novo coronavírus, número que no final de julho era de cerca de 1.300.

Os especialistas atribuem o aumento do contágio ao relaxamento das medidas de prevenção, à baixa adesão ao uso de máscaras, às confraternizações familiares e ao discurso do governo, que chegou a declarar sua "vitória sobre o coronavírus" e abriu as fronteiras para tentar atrair turistas durante o verão no hemisfério norte, já que constituem um dos pilares da frágil economia nacional.

CURVA DE CONTÁGIOS EM CRESCIMENTO NA ARGÉLIA.

Na Argélia, após duas semanas de queda, o número de casos diários do novo coronavírus ultrapassou mais uma vez a barreira dos 200.

"Constato com pesar um certo relaxamento na fiscalização do cumprimento das medidas preventivas contra a Covid-19, incluindo o distanciamento social, a obrigatoriedade do uso de máscaras e o uso de álcool gel", disse neste domingo o primeiro-ministro do país, Abdelaziz Djerad.

"Neste período particular, marcado por uma retomada controlada e gradual das atividades econômicas e das presenciais em escolas e universidades, além das orações de sexta-feira em nossas mesquitas, todos os esforços devem ser feitos para manter um nível máximo vigilância e conservar todas as ações de prevenção e protecção que têm permitido, até então, nos proteger de uma situação que complica qualquer serviço de saúde", acrescentou o político.

No país, o novo coronavírus chegou até mesmo à alta cúpula do governo, que teve vários de seus funcionários infectados. Por isso, o presidente da Argélia, Abdelmadjid Tebboun, iniciou no dia 24 de outubro um confinamento "voluntário" de cinco dias.

Segundo dados oficiais, a Argélia, que 44 milhões de habitantes e mantém suas fronteiras fechadas desde fevereiro, registrou, até o momento, 56.143 casos de Covid-19 e 1.914 mortes causadas pela doença.

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