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Espanha decreta toque de recolher pelo vírus, que gera recorde de casos nos EUA

25/10/2020 16h39

Paris, 25 Out 2020 (AFP) - A Espanha decretou, neste domingo (25), em várias de suas regiões, outra medida drástica em uma Europa afetada pela segunda onda do coronavírus, que provocou um recorde de casos diários nos Estados Unidos.

Diante de uma situação considerada "extrema", o governo de Pedro Sánchez decretou neste domingo um novo estado de alerta, em princípio por quinze dias, mas com a intenção de prolongá-lo até o início de maio.

Este decreto é acompanhado da imposição de um toque de recolher em todo o país das 23h00 às 06h00, exceto nas ilhas Canárias onde a incidência do vírus é menor.

No sábado à noite, ao menos nove regiões espanholas pediram ao governo central para proclamar esse estado de alerta, embora algumas cidades e territórios já tenham se adiantado com restrições e toques de recolher locais, como Madri, Castilla e León (norte), Valencia (leste) e Granada (sul).

Trata-se do segundo estado de alerta decretado na Espanha, após um primeiro imposto em março e que durou até junho, com o confinamento geral da população para conter a primeira de contaminação da pandemia, responsável por quase 35.000 mortes no país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou neste domingo que, na véspera, foram confirmados 465.319 casos do novo coronavírus, um novo recorde mundial pelo terceiro dia consecutivo (449.720 na sexta e 437.247 na quinta).

Quase a metade desses casos foram registrados na Europa, com 221.898 em um dia. O continente acumula cerca de 9 milhões de contágios e mais de 260.000 mortes.

De acordo com a OMS, o hemisfério norte encontra-se em um "momento crítico" da pandemia, alertou na sexta-feira o diretor da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A França registrou neste domingo um número recorde diário de contaminações no país, após o diagnóstico de mais 52.010 positivos, segundo dados das autoridades de Saúde Pública. O número de mortes no país aumentou em 116, alcançando 34.761.

- Restrições na Itália -Diante da segunda onda de contaminações, vários países europeus, como a França, instauraram toques de recolher desde meados de outubro.

Na Itália, três regiões com as cidades mais populosas adotaram a medida nos últimos dias: Lazio (Roma, centro), Lombardia (Milão, noroeste) e Campânia (Nápoles, sudoeste). Pelo menos duas outras regiões, Piemonte (norte) e Sicília (sul), seguirão o exemplo durante a próxima semana.

Depois de um número recorde de infecções no sábado - 20.000 em 24 horas para mais de 500.000 casos e 37.000 mortes - o governo italiano voltou a adotar medidas mais rigorosas.

Cinemas, teatros, academias e piscinas fecham de segunda a 24 de novembro. Os bares e restaurantes devem parar de servir os clientes após as 18h, e 75% das aulas em faculdades e universidades continuarão de maneira virtual.

"O objetivo é claro: manter a curva de contágio sob controle, pois é a única maneira de controlar a pandemia sem sermos submersos", explicou o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, neste domingo.

As medidas, porém, não foram bem recebidas. Na noite de sábado para domingo, dezenas de manifestantes de extrema direita protestaram contra o toque de recolher e entraram em confronto com a tropa de choque no centro histórico de Roma.

"Isso vai nos destruir", disse à AFP Augusto d'Alfonsi, dono de um restaurante na capital. "Já perdemos 50% dos nossos clientes este ano. Sem ajuda do governo, estamos acabados", disse à AFP.

Na Bélgica, as autoridades adiantaram o toque de recolher de meia noite para as 22h00, ordenaram o fechamento dos comércios às 20h00 e proibiram as atividades culturais e esportivas a partir de segunda-feira.

Na França, os deputados votaram no sábado para prolongar até 16 de fevereiro o estado de emergência de saúde, um regime de exceção que autoriza o Executivo a aplicar restrições contra a crise.

O toque de recolher de 21h00 às 06h00, que no início envolvia 20 milhões de pessoas, foi ampliado no sábado para 46 milhões de habitantes no país, por seis semanas. A França registra mais de um milhão de casos e no sábado anunciou um recorde de 45.422 novos contágios em 24 horas.

A situação agravou-se também no leste do continente, com restrições na Polónia, Eslováquia e República Checa, entre outros países. Também na Bulgária, onde o primeiro-ministro Boiko Borissov anunciou neste domingo que testou positivo para coronavírus.

- Recorde diário de casos nos EUA -A pandemia já deixou cerca de 1,2 milhão de mortos no mundo desde o final de dezembro, segundo um balanço da AFP no sábado.

Estados Unidos, o país com mais mortes no mundo, com mais de 224.000 óbitos e 8,6 milhões de casos, registrou no sábado um recorde de novos casos diários pelo segundo dia consecutivo, com cerca de 89.000 em 24 horas.

Na América Latina e Caribe, onde há mais de 387.000 mortos e cerca de 10,8 milhões de casos, a Colômbia superou neste sábado o valor simbólico do milhão de casos de covid-19 desde o início da pandemia, com 30.000 mortes.

No Chile, mais de 14,7 milhões de chilenos votam neste domingo em um plesbicito para decidir se mudam a Constituição redigida durante a ditadura de Augusto Pinochet.

O país superou no sábado os 500.000 casos e quase 14.000 mortes em quase oito meses.

Por último, o governo argentino anunciou que abrirá as fronteiras para receber turistas de países limítrofes durante a próxima temporada de verão, visando melhorar um setor atingido em cheio pela pandemia de coronavírus.

A Argentina tem as fronteiras fechadas desde 20 de março, quando entrou em confinamento. As restrições continuam vigentes, embora moderadas em Buenos Aires e redondezas, onde vive um terço dos 44 milhões de argentinos.

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