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Polônia: presidente de extrema direita com Covid e degradação da epidemia não inibem manifestação pró-aborto

24/10/2020 10h02

O presidente de extrema direita da Polônia, Andrzej Duda, 48 anos, testou positivo para o coronavírus, indicou neste sábado (24) o secretário de Estado da presidência. Apesar da propagação vertiginosa da Covid-19 no país, manifestantes continuam indo às ruas protestar contra um endurecimento das condições de acesso ao aborto.

O presidente de extrema direita da Polônia, Andrzej Duda, 48 anos, testou positivo para o coronavírus, indicou neste sábado (24) o secretário de Estado da presidência. Apesar da propagação vertiginosa da Covid-19 no país, manifestantes continuam indo às ruas protestar contra um endurecimento das condições de acesso ao aborto.

Segundo o secretário de Estado Blazej Spychalski, o presidente polonês "passa bem". Na segunda-feira, Andrzej Duda participou de um fórum de investimentos em Tallinn, onde se encontrou com a presidenta da Estônia, Kersti Kaljulaid, e com o presidente da Bulgária, Roumen Radev. A líder estoniana fez um teste que se revelou negativo, enquanto o búlgaro se colocou em quarentena por ter tido contato com outra pessoa infectada em seu país.

Ainda no início da semana, o líder do partido ultraconservador polonês Lei e Justiça (PiS) e vice-primeiro-ministro, Jaroslaw Kaczynski, divulgou que estava em isolamento preventivo, depois de ter tido contato com uma pessoa contaminada. Desde então, não foram anunciados detalhes sobre o estado de saúde de Kaczynski.

A crise sanitária na Polônia se agrava. O sistema público de saúde está à beira de um colapso pela afluência crescente de doentes nos hospitais. Na sexta-feira (23), diante da degradação do contexto epidêmico, o governo polonês classificou todo o país como "zona de alerta vermelho". O boletim diário divulgado pelas autoridades notificou 13.632 novos casos positivos em 24 horas.

Apesar da degradação da epidemia, novas manifestações estão marcadas neste sábado para denunciar as restrições de acesso ao aborto. Na noite de sexta-feira, 10 mil pessoas se reuniram em Varsóvia para protestar contra a decisão adotada na quinta-feira pelo Tribunal Constitucional de não permitir o aborto em casos de malformação fetal.

O aborto já era praticamente impossível no país de maioria católica. Com a permanência da extrema direita no poder, as mulheres tem enfrentado dificuldades crescentes para ter seus direitos respeitados.

Restrições de circulação e hospitais de campanha

Com a aceleração dos contágios, os poloneses - que podem - são agora incentivados a adotar o teletrabalho. As escolas primárias estão parcialmente fechadas e recebem apenas alunos dos três primeiros anos do ensino fundamental. Estudantes mais velhos, do ensino médio e universitários praticam o ensino à distância. O governo também recomendou que os idosos com mais de 70 anos permaneçam em casa.

Restaurantes, cafés e bares só podem servir comida para viagem. Piscinas e clubes esportivos estão fechados. As reuniões são limitadas a cinco pessoas, os casamentos estão proibidos e o número de pessoas foi estritamente reduzido nos escritórios, meios de transporte e nas igrejas.

O estádio nacional da Polônia, em Varsóvia, está sendo transformado em um hospital de campanha para receber doentes. O governo está construindo mais instalações médicas em todo o país, já que a pandemia provoca uma saturação dos leitos disponíveis em todo o território nacional.

Com uma população de quase 38 milhões de habitantes, a Polônia registra 241.946 casos do coronavírus desde o início da epidemia, 4.351 mortes e 109.344 pacientes recuperados da doença.

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