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Evo Morales deixa a Argentina e embarca para Venezuela, diz agência

Em 2014, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à dir.), se reuniu com o presidente boliviano, Evo Morales (à esq.), no palácio de Miraflores, em Caracas (Venezuela)  - Xinhua
Em 2014, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (à dir.), se reuniu com o presidente boliviano, Evo Morales (à esq.), no palácio de Miraflores, em Caracas (Venezuela) Imagem: Xinhua
do UOL

Do UOL, em São Paulo

23/10/2020 23h48

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales deixou a Argentina e embarcou em direção a Caracas na noite de hoje em um avião oficial venezuelano, segundo informações da agência argentina Telam.

Morales, que está exilado em Buenos Aires desde dezembro, saiu do aeroporto internacional de Ezeiza às 17h15 (horário de Brasília) rumo à capital venezuelana.

O site argentino Infobae apurou que Morales embarcou em um jato Embraer Lineage 100, de matrícula YV3016. Às 23h39, o site FlightRadar 24, que monitora voos em tempo real, indicava que o avião havia decolado de Ezeiza e sobrevoava em direção ao Norte da Argentina.

Evo Morales renunciou à presidência da Bolívia em meio a uma profunda crise política no país em novembro de 2019. Na época, ele se dizia vítima de um golpe "cívico-político-policial" e que havia renunciado para tentar pacificar o país.

"Renuncio a meu cargo de presidente para que [Carlos] Mesa e [Luis Fernando] Camacho não continuem perseguindo dirigentes sociais", afirmou Morales em discurso transmitido pele TV, referindo-se a líderes opositores que convocaram protestos contra ele desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro e também aos ataques contra pessoas ligadas ao seu governo.

Imediatamente após o anúncio de Morales, houve comemoração nas ruas de La Paz, com milhares de manifestantes soltando rojões e balançando bandeiras bolivianas.

A OEA (Organização dos Estados Americanos) apontou irregularidades na votação do último dia 20 que dariam a Morales um novo mandato. Ao anunciar a renúncia, ele fez críticas à entidade. "A comissão da auditoria da OEA tomou uma decisão política. Alguns técnicos da OEA estão a serviço de grupos de poder."

Eleições presidenciais

No início da semana, Morales comemorou os resultados das pesquisas de boca de urna no país, que apontavam para uma vitória de Luis Arce —ou Lucho Arce— nas eleições presidenciais boliviana. A confirmação do resultado ocorreu somente hoje.

Segundo Morales, a vitória do candidato do MAS (Movimento para o Socialismo), seu partido, mostra que o que houve em 2019 — sua renúncia — foi um golpe de Estado.

"Com Lucho Arce levantaremos novamente, unidos, a Bolívia", escreveu o ex-presidente em uma rede social. "Mais uma vez lideraremos o crescimento econômico da região, porque o MAS-IPSP é o único partido político com um programa e uma visão de país que sempre integrou campo e cidade, oriente e ocidente".

E continuou: "A vitória eleitoral contundente demonstra que, em 2019, não houve fraude, mas sim um golpe de Estado. Esse triunfo do povo boliviano é dedicado aos nossos avós, Túpac Katari y Bartolina Sisa. Queriam nos banir, mas ressuscitamos".

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