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Pelosi diz que acordo sobre pacote de alívio à Covid-19 pode não ser alcançado até depois das eleições

21/10/2020 15h33

Por David Morgan e Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) - A presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse nesta quarta-feira que ainda há a perspectiva de um acordo sobre mais auxílio em resposta à Covid-19, apesar da resistência dos republicanos do Senado, e acrescentou estar otimista de que um consenso será alcançado, mas disse que isso pode não acontecer antes das eleições.

Pelosi, que atualmente ocupa o mais alto cargo entre os democratas eleitos, continuou as tratativas com o secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, na tarde desta quarta-feira, e um porta-voz da presidente afirmou que eles estavam mais perto de "colocar tinta no papel", em referência à elaboração de um texto legislativo.

Mais cedo, em entrevista à MSNBC, Pelosi afirmou querer que o projeto fosse aprovado antes das eleições de 3 de novembro, embora o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, não tenha sido um entusiasta apoiador.

"Estou otimista, porque mesmo com o que Mitch McConnell diz --'Não queremos fazer isso antes das eleições'-- vamos continuar trabalhando para que possamos fazer isso depois das eleições", disse ela à MSNBC.

"Queremos isso antes, mas, novamente, quero que as pessoas saibam, a ajuda está a caminho."

O presidente Donald Trump, que está atrás nas pesquisas nacionais de intenção de votos a apenas dias da data das eleições, tem cada vez mais pedido por medidas, mas uma proposta de alívio abrangente tem encontrado resistência entre os republicanos do Senado.

Pelosi e Mnuchin estão acertando detalhes de um pacote de alívio que pode ficar na casa dos 2,2 trilhões de dólares, montante pelo qual os democratas têm pressionado por meses.

McConnell não quer apresentar ao Senado um grande projeto de alívio relacionado ao coronavírus antes das eleições, disse um assessor republicano, enquanto tenta confirmar a nomeação da indicada de Trump para a Suprema Corte, Amy Coney Barrett.

O chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, afirmou nesta quarta-feira que a Casa Branca agora mira 1,9 trilhão de dólares em alívio. Meadows conversou com a Fox News após almoçar com senadores republicanos, os quais, segundo ele, estão preocupados com política, bem como com o custo de um novo pacote.

"Não acho que nossas chances melhoram após a eleição", disse Meadows à Fox.

Alguns republicanos do Senado também disseram nesta quarta-feira que pode ser mais difícil conseguir que um pacote de alívio seja aprovado após as eleições.

"Se vamos fazer isso neste ano, acho que é agora ou nunca", disse o senador Roy Blunt.

Outros republicanos continuaram a expressar preocupação com as propostas em discussão.

O senador Steve Daines, que está numa acirrada campanha por reeleição pelo Estado de Montana, disse que um "grande ponto de discórdia" são os gastos propostos pelos democratas em ajuda aos governos estaduais e locais e que se opõe à ideia de que alguns Estados com problemas orçamentários sejam "resgatado" por outros.

"Queremos que algo seja aprovado, mas fazer com que os contribuintes de Montana salvem a Califórnia e Nova York não é a coisa certa a se fazer."

Os republicanos do Senado propuseram um auxílio menor e direcionado para ajudar uma economia que ainda se recupera da pandemia, que infectou 8,3 milhões de norte-americanos.

Mas os democratas parecem igualmente determinados a não concordar com propostas de auxílio direcionado, à medida que um acordo abrangente mais amplo parece próximo.

Um plano de auxílio republicano de 500 bilhões de dólares não conseguiu superar uma obstrução processual no Senado nesta quarta-feira, quando os democratas votaram para bloqueá-lo.

O porta-voz de Pelosi, Drew Hammill, escreveu no Twitter que Pelosi e Mnuchin conversariam novamente na quinta-feira.

Depois de aprovar rapidamente mais de 3 trilhões de dólares em alívio meses atrás, com o objetivo de enfrentar o grave dano humano e econômico causado pela pandemia de Covid-19, o Congresso não passou nenhuma nova medida desde abril para responder a uma doença que matou mais de 221 mil norte-americanos.

Trump insiste que um acordo bipartidário entre Pelosi e Mnuchin receberia o número de votos necessários para a aprovação no Senado, onde os republicanos detêm uma maioria de 53 a 47.

Com pesquisas de opinião mostrando eleitores culpando Trump pela forma como tem lidado com a pandemia, os republicanos também correm o risco de perder a maioria no Senado. Isso fez com que alguns membros voltassem às tradicionais preocupações republicanas sobre disciplina fiscal.

(Reportagem adicional de Doina Chiacu, Susan Heavey e Steve Holland)

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