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O Brasil na imprensa alemã (21/10)

21/10/2020 12h55

O Brasil na imprensa alemã (21/10) - Publicações destacam fuga do traficante André do Rap, estudo que sugere imunização de rebanho em Manaus e novo aumento no número de homicídios no país.Neues Deutschland: "Matar e deixar morrer no Brasil" (20/10)

"A violência mortífera está na ordem do dia no maior país da América do Sul. Isso fica claro no relatório anual publicado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com a Unesco. É baseado em dados de 19 dos 26 estados e o Distrito da capital Brasília.

O relatório registra 47.773 vítimas de assassinato e homicídio culposo em 2019. Estes números não incluem cerca de 13.700 casos com causa de morte desconhecida. Mais de uma em cada dez vítimas é formada por crianças ou adolescentes de até 19 anos. Três quartos das crianças e jovens assassinados pertenciam à população afro-brasileira.

A partir dos 13 anos, principalmente para os negros, há um aumento do risco de perder a vida em decorrência de violência doméstica ou do crime, mas também de ser baleado pela polícia. Em 2019, mais de 5.800 pessoas morreram no Brasil em decorrência de operações policiais, principalmente na "guerra às drogas".

No primeiro semestre de 2020, de acordo com a ONG, o uso de força letal por policiais aumentou em 7%, e 3.148 pessoas perderam a vida. A posição do presidente Jair Bolsonaro de que "bandido bom é bandido morto" incentiva a matança excessiva pelo Estado.

Die Tageszeitung (taz): "Instagram em vez de ONG" (19/10)

Alice Pataxó pertence a uma nova geração de jovens indígenas que contam suas histórias por iniciativa própria. Eles usam as redes sociais para isso e consegue um alcance amplo. Por um lado, isso rompe com ideias empoeiradas da sociedade majoritária brasileira. Por outro, eles também estão rompendo com os instrumentos políticos tradicionais de seus ancestrais. Não falam em conferências sobre o clima, não fundam ONGs, não entram em partidos. Estão no Twitter, Instagram e Tiktok.

"A história do Brasil foi construída de tal forma que acabou apagando as histórias dos índios. Muita gente não conhece nossas histórias. Por exemplo, há jovens que acreditam que os índios são os verdadeiros invasores que tomam terras. Mas vivemos em áreas que nossos ancestrais habitavam", diz Pataxó, que hoje é seguida por mais de 50 mil pessoas no seu Twitter, no qual escreve sobre comida, vestimentas e também sobre apropriação cultural e estereótipos.

O pouco conhecimento sobre os indígenas na sociedade majoritária brasileira torna-se particularmente evidente quando Pataxó abre perguntas para seus seguidores: os indígenas e não indígenas podem se casar? O que é essa coisa comprida no seu nariz? Por que você fala português? Como os indígenas se sentem em relação à homossexualidade?

Pataxó quer descolonizar o conhecimento da sociedade majoritária brasileira sobre os indígenas. Frequentemente, isso significa tornar as coisas visíveis primeiro. É cansativo ter que explicar o básico várias vezes, diz ela. Por outro lado, muitos realmente não parecem saber muito.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Liberdade pela porta da frente " (18/10)

André de Oliveira Macedo passou pela porta da frente quando saiu do presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau, há uma semana. Pouco antes, um ministro do Supremo Tribunal Federal havia lhe concedido permissão para isso. Quando o presidente do tribunal reverteu a decisão do colega algumas horas depois, já era tarde. Após sua libertação, Macedo teria embarcado em um avião e decolado para o exterior. O gangster conhecido como "André do Rap" é um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do Brasil.

As reações à liberação variam de raiva a acusações de corrupção contra o ministro do STF. Foram necessários anos para capturar o criminoso. O governador de São Paulo, João Doria, disse, por exemplo, que a libertação foi um tapa na cara de cada policial e da população.

O plenário do Supremo Tribunal Federal expediu um novo mandado de detenção para Macedo. Mas o traficante e "gangsta rapper", que tem uma ampla rede de contatos em toda a América Latina e muito dinheiro, já deve estar em um esconderijo seguro. Ele pode já ter escrito alguns versos sobre sua fuga pela porta da frente.

Die Welt: "O alto preço da imunidade do rebanho" (15/10)

Manaus, metrópole da floresta tropical brasileira, chegou às manchetes duas vezes este ano. Pela primeira vez, em maio e junho, quando seus coveiros mal conseguiam acompanhar os muitos funerais, com fotos de valas comuns cavadas às pressas circulando pelo mundo. E apareceu depois novamente em setembro, quando um estudo da USP sugeriu uma possível imunização de rebanho da população. Manaus de repente mudou-se para o centro de um debate científico: a pandemia poderia acabar mesmo sem uma vacina, por meio da imunidade coletiva? E, se sim, qual seria o preço?

A imunidade do rebanho é o fenômeno em que um patógeno não pode mais se espalhar assim que uma certa proporção da população está imune. Mesmo os indivíduos não imunes seriam protegidos pela "manada". Os pesquisadores apontaram essa possibilidade no início da pandemia. No entanto, tais especulações até agora foram baseadas em modelos matemáticos. Manaus pode fornecer evidências do mundo real.

Nunca houve um confinamento rígido na cidade, e muitas pessoas não seguiram as recomendações de distanciamento social. Mesmo antes de o estudo ser publicado, no entanto, percebeu-se que o número de mortes diárias havia caído drasticamente após as terríveis semanas de abril e maio. Embora até 140 mortes por coronavírus tenham sido registradas no pico, esse número caiu para menos de dez desde o final de junho.

Mas o preço que Manaus pode ter pago por uma proteção imunológica é alto - e seria ainda mais alto em cidades com uma população mais velha. A idade média na cidade é de 28 anos, e 90% da população têm menos de 50 anos. Andrew Levin, do Dartmouth College, dos EUA, analisou para o Welt quão alta seria a taxa de mortalidade nas mesmas circunstâncias com uma estrutura etária alemã: "Se em Manaus, 130 por 100 mil pessoas morreram, a proporção seria de quase mil na Alemanha."

JPS/ots

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