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Doze mortos e centenas de feridos durante protestos na Nigéria, denuncia Anistia Internacional

21/10/2020 16h31

Uma terça-feira sangrenta. A manifestação contra violência policial que reuniu cerca de mil pessoas na noite de terça-feira (20) em Lagos, centro econômico da Nigéria, terminou em massacre, após a multidão ser reprimida com tiros. Ao menos doze pessoas morreram e centenas ficaram feridas, denunciou a ONG Anistia Internacional nesta quarta-feira (21). O governo da região, até o momento, confirma apenas uma morte e 25 feridos.

Uma terça-feira sangrenta. A manifestação contra violência policial que reuniu cerca de mil pessoas na noite de terça-feira (20) em Lagos, centro econômico da Nigéria, terminou em massacre, após a multidão ser reprimida com tiros. Ao menos doze pessoas morreram e centenas ficaram feridas, denunciou a ONG Anistia Internacional nesta quarta-feira (21). O governo da região, até o momento, confirma apenas uma morte e 25 feridos.

"Não tínhamos armas, nem mesmo um pedaço de pau, tudo o que agitávamos eram bandeiras nigerianas", disse Larry Matthew, um manifestante de 30 anos que vagava pelas ruas de Lekki 24 horas após o incidente.

"Gritamos para eles que queríamos paz, mas os soldados não queriam saber de nada", continua Matthew.

De acordo com testemunhas, a iluminação pública foi apagada e as câmeras de vigilância da região da manifestação foram desligadas momentos antes de que as forças de ordem começassem a atirar --segundo relatos, havia soldados do Exército e policiais na repressão do protesto.

Os militares negaram qualquer envolvimento na matança, apesar de vários vídeos que circulam nas redes sociais mostrarem soldados disparando com munições reais.

"Eles tinham uniformes do exército! Uniformes do exército!", insiste Paul Sunday, um jovem manifestante. "Eles esperaram até escurecer, por volta das 19 horas, e nos atacaram pela frente e por trás", disse Sunday.

O governador do estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, anunciou a abertura de uma investigação sobre sobre a atuação de oficiais do Exército.

Duas semanas de protesto

Os manifestantes estavam acampados na região do pedágio de Lekki há duas semanas, em mais um protesto contra a brutalidade policial na Nigéria de uma onda iniciada no início do mês. A repressão sangrenta, no entanto, acendeu o alerta de outros países para o que está acontecendo no país.

A comunidade internacional condenou a violência, e pediu medidas punitivas contra os responsáveis. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antonio Gutierres, exigiu o fim da violência e de abusos policiais no país.

O presidente do país, Muhammadu Buhari, pediu calma à população. No entanto, nesta quarta-feira (21), a megalópole de Lagos voltou a ter protestos, com edifícios incendiados, construção de barricadas no meio de ruas e bloqueios em estradas.

Entre os prédios atacados, está a sede da televisão TVC, uma emissora privada conhecida por suas conexões com altos membros da política nigeriana, foi incendiada nesta manhã.

O toque de recolher instaurado na região mantém fechados os comércios dessa região de 20 milhões de habitantes e o transporte público parado.

"Somos pessoas pobres, estávamos apenas lutando por nossos direitos", diz ele. "E agora não temos para onde ir, nem podemos ir para casa."

(Com informações da AFP)

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