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Desinformação ameaça resposta à covid-19 nas Américas, alerta Opas

21/10/2020 16h54

Washington, 21 Out 2020 (AFP) - A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou nesta quarta-feira (21) que a desinformação ameaça a resposta à covid-19 no continente americano, em particular no que diz respeito a uma vacina contra o novo coronavírus.

"A desinformação é uma séria ameaça à saúde de nossa região. Rumores traiçoeiros e teorias de conspiração podem atrapalhar os esforços de vacinação e prejudicar nossa resposta à covid-19, ceifando vidas", disse Carissa Etienne, diretora da Opas.

"A maneira como comunicamos sobre as vacinas para a covid-19 tornará possível ou impedirá nossa capacidade de controlar a pandemia", enfatizou em uma entrevista coletiva no formato virtual.ad/dgavirtual.

Mais de 190 vacinas candidatas estão atualmente em estudo, 11 delas em ensaios clínicos de fase 3, e o processo é acompanhado de perto em face da urgência de se obter uma imunização que seja eficaz e segura contra covid-19.

De acordo com Etienne, a superabundância de informações de fontes nem sempre confiáveis gerou confusão sobre a segurança das vacinas.

"É vital que o público receba informações claras, concisas e com embasamento científico sobre uma futura vacina contra a covid-19", frisou, pedindo às autoridades, à mídia, ao setor privado e à comunidade científica que colaborem nesse esforço.

O continente americano concentra cerca de 19 milhões de casos e mais de 614.000 mortes pelo novo coronavírus, que apareceu na China no final de 2019, o que representa quase metade das infecções e mortes em todo o mundo.

- Alta transmissão -Etienne destacou que em todas as sub-regiões das Américas ainda há uma "alta" transmissão do vírus, com cerca de 100.000 infecções diárias. Ela destacou não só as taxas de incidência nos Estados Unidos e no Brasil, mas também na Argentina, na Colômbia, no Peru e no México.

"A região ainda enfrenta um surto significativo", disse.

Os Estados Unidos, o país mais afetado pelo vírus no mundo, continua registrando um aumento constante de casos, principalmente nas regiões do Meio-Oeste e das Montanhas Rochosas. O Canadá está passando por uma segunda onda, especialmente no nordeste da província de New Brunswick.

Na América Central, há um aumento persistente na Costa Rica e em Belize, enquanto no Caribe de língua inglesa a maioria dos novos casos está relacionada a viagens internacionais não essenciais.

Em termos de mortes, após um pico em julho e agosto, a tendência é de queda desde o final de agosto no nível regional, disse à AFP Sylvain Aldighieri, gerente de incidentes da Opas para covid-19.

No entanto, em alguns países, como a Argentina, o número de mortos aumentou em setembro, acrescentou.

Questionado se esse aumento de casos na região poderia se refletir no futuro em um aumento de mortes, Aldighieri respondeu: "Infelizmente, sim".

O especialista explica que pode demorar entre 10 e 20 dias para que isso aconteça. Pacientes gravemente enfermos, que são menos de 5% dos casos, podem ficar em terapia intensiva por até três semanas antes de morrer, disse.

A diretora da Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), reconheceu que as opções de tratamento para covid-19 permanecem limitadas, razão pela qual ela pediu aos países-membros que mantenham vigilância - com evidências, isolamento de casos e rastreamento de contatos, bem como cumprimento das medidas de saúde pública recomendadas.

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