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Covid-19: hospitais de Madri estão novamente à beira de um colapso

21/10/2020 12h04

A situação dos hospitais em Madri beira o colapso, enquanto a Catalunha registra um forte aumento das contaminações por Covid-19. A região de Navarra, no norte da Espanha, se prepara para fechar as fronteiras. A segunda onda do coronavírus sacode o país e o governo espanhol admite que está estudando a aplicação do toque de recolher. 

A situação dos hospitais em Madri beira o colapso, enquanto a Catalunha registra um forte aumento das contaminações por Covid-19. A região de Navarra, no norte da Espanha, se prepara para fechar as fronteiras. A segunda onda do coronavírus sacode o país e o governo espanhol admite que está estudando a aplicação do toque de recolher. 

Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

O estado de alerta que o governo de Pedro Sánchez decretou no começo de outubro em Madri para limitar a circulação e conter o contágio termina no próximo sábado (24) e parece que ajudou a diminuir as infecções, mas a situação continua preocupante. 

Madri é o epicentro da pandemia no país, com cerca de 34 mil mortes acumuladas. O Hospital Severo Ochoa, em Leganés, subúrbio da capital espanhola, enfrenta uma dura situação. Esse foi um dos hospitais mais afetados durante a primeira onda da pandemia e agora, já em plena segunda onda, a UTI está cheia e os profissionais sanitários alertam que o pior ainda está por vir.

O chefe da UTI Ricardo Díaz Abad declarou que todos os leitos estão ocupados por doentes graves de Covid-19 e que, embora tenham aprendido muito com a primeira onda, os médicos e enfermeiros ainda não se recuperaram completamente do estresse e estão esgotados.

Na terça-feira (20), trabalhadores do setor da saúde se manifestaram em frente a hospitais, em diferentes pontos do país, para denunciar a precariedade em que se encontram. Eles exigem um aumento de salários para melhorar a estrutura nos centros de saúde e as condições de trabalho.

O governo regional de Madri, sob a presidência de Isabel Díaz Ayuso do conservador Partido Popular, prevê pedir um toque de recolher semelhante ao da França a partir do próximo sábado, da meia-noite às seis da manhã, para manter a atividade de bares e restaurantes e evitar as reuniões e festas particulares. 

Por sua vez, o ministro da Saúde, Salvador Illa, disse que vai estudar a situação e que essa decisão só será tomada com o apoio das outras regiões do país e a aprovação do Congresso, pois é necessário decretar um novo estado de alerta. O ministro anunciou também que o governo de Sánchez autorizou a compra antecipada de mais de 31 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 do laboratório AstraZeneca e que o país receberá um lote de mais de 3 milhões em dezembro, se o medicamento passar por todos os testes de segurança. 

Recorde semanal de infecções

A Espanha observa a situação piorar com a chegada da segunda onda de contágios e bateu o recorde semanal em infecções, mortes, hospitalizações e pacientes na UTI. Na última semana foram registrados 92.236 novos casos e 5.802 internações. No total, há 496 pacientes na UTI e 1.006 mortes. Desde o início da pandemia, o número total de óbitos por coronavírus no país ultrapassou 34 mil e cerca de um milhão de pessoas foram infectadas.

Em relação às mortes provocadas pela pandemia, a Espanha é o sétimo país do mundo e o terceiro da Europa, atrás apenas do Reino Unido e da Itália. Quanto ao número de contágios, é o sexto país do mundo e o primeiro da União Europeia.

A situação da Catalunha também preocupa: é a região que teve o maior número de contágios no balanço de terça-feira com 2.692 casos dos 13.873 registrados no país. Os novos casos de Covid-19 chegaram a triplicar nos últimos dez dias em alguns hospitais catalães e muitos já estão planejando desprogramar operações para poder atender os casos mais graves. 

Em Barcelona, o pronto-socorro do Hospital del Mar enfrenta uma superlotação. Os próprios trabalhadores do hospital público tuitaram que dos 163 pacientes, 78% estão com coronavírus, e denunciaram que a gestão da pandemia está sendo desastrosa.

A doutora Irene Churruca do Hospital de Sant Pau de Barcelona confirmou à RFI que a situação é grave e que se em duas semanas não houver um lockdown estrito, a situação vai piorar muito. "Na semana passada, o Hospital Quirón de Barcelona tinha dois pacientes de Covid-19 e nesta segunda esse número subiu para 25", concluiu.

Região de Navarra está em alerta

A região da Navarra, no norte do país, com cerca de 650 mil habitantes, é a que apresenta neste momento a pior situação epidemiológica e vai fechar as fronteiras na quinta-feira (22). A incidência de casos acumulados de infecção disparou nos últimos 14 dias no local.

Os infectados superaram os mil casos por 100 mil habitantes, dobrando a taxa de 500 casos que o Ministério da Saúde adotou como um dos critérios para confinar as principais cidades do país, e triplicando a incidência média na Espanha, que nesta terça-feira foi de cerca de 323 casos por 100 mil habitantes. 

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