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Rêgo Barros diz que não tinha autoridade para repreender falas de Bolsonaro

General Rêgo Barros no Conversa com Bial - Reprodução/vídeo
General Rêgo Barros no Conversa com Bial Imagem: Reprodução/vídeo
do UOL

Colaboração para o UOL

20/10/2020 03h38Atualizada em 20/10/2020 10h32

O general Otávio Santana do Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência da República, revelou que, durante a sua permanência no cargo do governo, não tinha autoridade para repreender as falas polêmicas do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao ser questionado no programa "Conversa com Bial", na madrugada de hoje, se possuía autoridade para 'puxar a orelha' de Bolsonaro quando, por exemplo, o presidente falou "E dai?" no momento em que o país atingiu o número de 5 mil mortes pelo coronavírus, o general afirmou: "Eu não tinha".

"Foi uma falha minha. Eu, infelizmente, não tive a possibilidade de poder colaborar com o presidente, mas muito gostaria", lamentou o ex-líder da comunicação institucional da presidência em sua primeira entrevista após ter sido desligado do governo.

O general Rêgo Barros atuou como porta-voz do governo desde janeiro de 2019, quando teve início a gestão de Bolsonaro. No entanto, ele acabou sendo exonerado em outubro deste ano após a função que ocupava ser extinta com a criação do Ministério das Comunicações. Muito antes da demissão, porém, ele já vinha sendo subaproveitado pelo governo. Os briefings, sessões diárias com a imprensa para falar sobre ações do governo, foram extintos ainda no final do ano passado.

Para o general, o hábito de Bolsonaro em parar no "cercadinho", situado na frente do Palácio do Alvorada, para conversar com a imprensa e seus apoiadores, tornou a função do porta-voz sem sentido.

Desde o final do ano passado, o presidente começou a optar em fazer uma comunicação mais direta que competia com a comunicação técnica do porta-voz e aí já não havia, obviamente, mais espaço, nem temporal e nem espaço técnico, para dar continuidade ao trabalho do porta-voz
General Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência

"Eu fui comunicado pelos ministros [Luiz Eduardo] Ramos e [Walter] Braga Netto da decisão da extinção do cargo de porta-voz", relembrou o general, que disse ter ficado muito entusiasmado quando Bolsonaro o convidou para assumir a posição.

Atualmente, o Ministério das Comunicações é responsável pela interlocução com a imprensa.

Cercadinho

Sobre o 'cercadinho', espaço destinado aos jornalistas que faziam perguntas a Bolsonaro, sempre com a presença de seus fiéis apoiadores presentes ao lado, o apresentador Pedro Bial perguntou: "a escolha do 'cercadinho' para se comunicar foi um desastre ou foi um desastre, general?".

"Olha, eu diria que não foi tecnicamente a escolha mais adequada", respondeu o entrevistado. "Tecnicamente, fica muito difícil de você estabelecer uma estrutura comunicacional com a sociedade colocando na linha de frente a principal autoridade que promove a geração da informação", ponderou o ex-porta-voz.

A despedida

A exoneração do general Rêgo Barros foi oficializada no Diário Oficial da União no dia 7 de outubro de 2020, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto.

De acordo com o ex-porta-voz, Bolsonaro não se despediu dele. "O presidente, provavelmente, não teve a oportunidade de se despedir de mim", lamentou. "O general Ramos fez uma cerimônia para mim na Secretaria de Governo. Foi um exemplo de como fazemos nas Forças Armadas; nos despedimos daqueles que trabalhamos todo a todo, cotovelo a cotovelo, depois de um período", exaltou.

Ao concluir o assunto, o general fez um balanço do seu trabalho no Governo Federal: "Eu cumpri o meu papel que era possível ser cumprido, com a minha equipe unida, coesa e com objetivos profissionais muito bem definidos".

Agora, de olho na nova etapa de sua vida, o general Rêgo Barros adiantou que gostaria de colaborar com projetos para o país e já foi consultado por pessoas que integram o Instituto General Villas Bôas, e que "pensam o Brasil no futuro".

Carreira

Nascido no Recife, em 1960, Otávio Rêgo Barros ingressou na carreira militar em 1975 como aluno da Escola Preparatória de Cadetes do Exército e, em 1981, foi declarado Aspirante a Oficial de Cavalaria.

Entre as missões como oficial general, comandou a força de pacificação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e a segurança da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Atuou também na Cooperação Militar Brasileira no Paraguai e na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti.

Antes de ser nomeado porta-voz do governo por Bolsonaro, o general Rêgo Barros foi chefe do Centro de Comunicação Social do Exército e um dos principais responsáveis pela política de comunicação do Exército durante o comando do general Eduardo Villas Bôas.

O "Conversa com o Bial" vai ao ar de segunda a sexta-feira após o Jornal da Globo.

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