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Eleição presidencial americana divide comunidade muçulmana do Michigan

20/10/2020 13h44

O Michigan é um dos estados-chave da eleição presidencial americana de 3 de novembro. Ele abriga a mais importante comunidade muçulmana dos Estados Unidos. Esses americanos originários do Iraque, Líbano, Síria e Iêmen ficaram chocados pelo "muslim ban", o decreto do presidente Donald Trump que barrou, em 2017, a entrada de imigrantes e refugiados muçulmanos no país. A comunidade também foi atingida em cheio pela epidemia de Covid-19.

O Michigan é um dos estados-chave da eleição presidencial americana de 3 de novembro. Ele abriga a mais importante comunidade muçulmana dos Estados Unidos. Esses americanos originários do Iraque, Líbano, Síria e Iêmen ficaram chocados pelo "muslim ban", o decreto do presidente Donald Trump que barrou, em 2017, a entrada de imigrantes e refugiados muçulmanos no país. A comunidade também foi atingida em cheio pela epidemia de Covid-19.

Por Stefanie Schüler e Bertand Haeckler, enviados especiais da RFI a Dearborn

A mais importante comunidade muçulmana dos Estados Unidos está concentrada em Dearborn, no Michigan. A cidade possui a maior mesquita do país e os nomes das lojas nas placas são escritos em inglês e árabe.

Yaser Gailan é originário do Iêmen e se sentiu estigmatizado durante os quatro anos da presidência de Trump. "Ele tem uma fixação com os muçulmanos. Ele diz que o Islã e terrorismo são a mesma coisa. Mas aqui no Michigan vivem muitos muçulmanos. Somos leais aos Estados Unidos, pagamos nossos impostos e apoiamos o governo", afirmou Gailan à reportagem da RFI.

"Uma das primeiras coisas que Joe Biden fará, [se eleito] será abolir o 'muslim ban'", acredita Ali Dagher, um advogado de origem libanesa. Ele tem certeza que o candidato democrata vencerá as eleições de 3 de novembro. Para o advogado, mesmo que Donald Trump tente questionar os resultados, o atual presidente não terá outra escolha e deverá partir.

"As maiores democracias caem às vezes na armadilha da ilusão e, sob o governo de um mau dirigente, temos a impressão de que as coisas não vão acabar bem", analisa Dagher. Mas ele ressalta que a Constituição americana é clara. "A presidência Trump termina em 12 de janeiro de 2021 e se ele não for mais presidente, ele não terá o direito de permanecer na Casa Branca. O Serviço Secreto não hesitará nem um instante em retirá-lo de lá", insiste o advogado, lembrando que o Exército, formado por afro-americanos, latinos e homens brancos que respeitam a Constituição, vai apoiar essa decisão. "Este país não é sustentado por um único homem e sim pela lei", assinala.

"Trump melhor para o comércio"

Como em outras regiões dos Estados Unidos, os moradores de Dearborn também já começaram a votar pelo correio. Ali Dagher informa que o número de cédulas eleitorais solicitadas pelo correio foi histórico. Otimista, ele diz que na vizinhança dele não há um único cartaz da campanha de Trump, mas, lúcido, acrescenta que "isso não quer dizer que a disputa já acabou".

A posição de outros moradores da cidade confirma essa impressão e a divisão da comunidade muçulmana nessas eleições. Dalala, que trabalha em um restaurante libanês, revela que votou para o presidente Trump. "Gosto de votar nele. Ele é poderoso, tem carisma. Trump é bom para o comércio de nossa comunidade". Dalala votou há dois dias pelo correio e diz que seu "pai, irmão e toda a sua família votaram em Trump".

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