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Governo usa imagem ilustrativa para apontar eficácia do remédio Annita

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

19/10/2020 20h38Atualizada em 21/10/2020 11h53

Em um evento realizado no Palácio do Planalto, com a presença de convidados, muitos sem máscaras, o governo prometeu apresentar nesta segunda-feira (19) a conclusão de um estudo clínico com o uso do medicamento Nitazoxanida em pacientes na fase precoce da Covid-19.

O material apresentado, porém, não trouxe números que comprovassem os resultados. Na apresentação havia inclusive imagens de arquivos da internet que mostravam uma suposta relação entre a redução da carga viral e o uso do medicamento.

"Neste momento, não poderei relatar mais detalhes sobre o estudo, já que ele foi submetido a uma revista internacional e isso faria com que perdêssemos o ineditismo, limitando a publicação", explicou em seu discurso a médica, pesquisadora e professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro doutora Patrícia Rocco.

A médica afirmou ainda que o número de mortes no Brasil continua elevado, que como cientista concorda que o artigo deve ser publicado e revisado por outros pesquisadores, mas que "mesmo na pandemia há um tempo entre a submissão e a publicação".

"Seria correto omitirmos esse dado e aguardar que, em um mês, 14 mil pessoas morressem?", questionou. "Enquanto estamos aguardando a vacina, pessoas continuam a morrer de COVID-19 e é nosso papel como médicos e cientistas conter a disseminação desse vírus", afirmou.

Outro lado

Procurada pela coluna, a assessoria de imprensa do Ministério confirmou que as imagens que aparecem na apresentação são meramente ilustrativas e que os gráficos não levam em conta os números exatos da pesquisa de forma quantitativa. A pasta disse que os números serão divulgados após a publicação da revista internacional e que todos os protocolos estão sendo respeitados.

"O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) esclarece que o gráfico usado no vídeo apresentado no evento de anúncio dos resultados dos ensaios clínicos com a nitazoxanida não faz parte dos dados do estudo e aparece apenas de forma ilustrativa", disse a pasta em nota enviada após a publicação da coluna.

A pasta diz ainda que o resultado qualitativo apresentado hoje "é, obviamente, baseado em dados e estudos completos de posse dos pesquisadores responsáveis". "No momento, o MCTI e os coordenadores do estudo não podem divulgar ainda os números e cálculos do estudo para preservar seu ineditismo, já que ele foi submetido a uma revista internacional, o que limita a publicação", reforçou.

O MCTI repetiu o argumento da pesquisadora e afirmou que "a Covid-19 continua a avançar no Brasil e, no papel de médicos e cientistas, foi feita a decisão de não omitir o resultado qualitativo de um estudo de extrema importância, que pode ajudar a salvar vidas enquanto aguardamos a vacina".

"Depois da publicação do artigo científico, faremos uma apresentação técnica para os interessados, mostrando todos os números, cálculos, equações, métodos etc", afirmou o ministério.

Sem ministro da Saúde

O anúncio desta segunda-feira teve ainda a ausência do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro disse que o general tinha tido um pequeno problema de saúde.

Em nota, após a revelação do presidente, a assessoria do Ministério da Saúde limitou-se a dizer que Pazuello "teve um pequeno mal-estar nesta tarde e já está bem".

Sobre o anúncio do estudo clínico com o uso do medicamento Nitazoxanida, a assessoria de Pazuello não respondeu e informou que se tratava de uma pauta do Ministério da Ciência e Tecnologia.

No evento, porém, o ministro Marcos Pontes, afirmou que a sua pasta é uma parceira da Saúde, que ajudou a estudar o problema e que agora o "bastão" estará com Pazuello.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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