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Protegido da Turquia vence eleição no Chipre do Norte

18/10/2020 15h42

Nicósia, 18 Out 2020 (AFP) - O nacionalista Ersin Tatar, candidato da Turquia, foi eleito neste domingo (18), contra todos os prognósticos, "presidente" da autoproclamada República turca do Chipre do Norte (RTCN), uma vitória para o governo de Ancara em meio a tensões sobre seus projetos no Mediterrâneo oriental.

Com 51,7% dos votos, Tatar - que defende uma solução de dois Estados soberanos na ilha mediterrânea dividida - venceu Mustafa Akinci, crítico de Ancara e partidário de uma reunificação do Chipre, na forma de um Estado federal.

Este resultado deve representar uma mudança radical das relações com a parte sul da ilha.

A Turquia celebrou a surpreendente vitória de seu protegido, comprometendo-se a defender, com ele, os interesses no Mediterrâneo oriental.

"Parabenizamos, calorosamente, o ganhador da eleição presidencial, Ersin Tatar. Trabalharemos juntos para garantir a prosperidade, o desenvolvimento e a segurança dos turco-cipriotas. Defenderemos juntos os direitos e interesses legítimos do Chipre do Norte no Mediterrâneo oriental", tuitou o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu.

O apoio do candidato que foi o terceiro no primeiro turno de 11 de outubro não foi suficiente para que Akinci ganhasse.

Não se descarta um pedido de recontagem de votos por parte do partido de Akinci, que denunciou várias vezes a ingerência da Turquia na eleição.

Na sacada da sede da legenda, com vista para a praça onde os resultados são divulgados, partidários de Tatar celebraram sua vitória, em meio à música e à agitação de bandeiras turcas.

A participação foi de 67,3%, ou seja, três pontos a mais do que em 2015 - e apesar da pandemia de covid-19.

Em torno de 199.000 pessoas foram convocadas para votar, de um total de 300.000 habitantes.

Tatar, nacionalista de direita, obteve 32,35% dos votos no primeiro turno de domingo passado, enquanto Akinci ficou com quase 30%.

Os 738 centros de votação fecharam às 18h (12h em Brasília), em um processo acompanhado de perto pelos representantes de ambos os candidatos.

A eleição se dá em um contexto de tensão no Mediterrâneo oriental sobre a exploração de hidrocarbonetos entre Turquia e Grécia, principal aliado da República do Chipre, que exerce sua autoridade nos dois terços da parte sul da ilha e pertence à União Europeia.

A República Turca do Chipre do Norte abarca o terço norte da ilha, ocupado desde 1974 pela Turquia, em reação a um golpe de Estado que buscava anexar o Chipre à Grécia. A Turquia considera que a ilha é um elemento-chave em sua estratégia para estender suas fronteiras marítimas.

O derrotado Akinci é um socialdemocrata de 72 anos, partidário da reunificação da ilha e da redução dos laços com a Turquia, o que lhe valeu a hostilidade de Erdogan.

Nesse cenário, a Turquia apoiou abertamente o vencedor Tatar, de 60 anos, a favor da solução de dois Estados.

A Turquia multiplicou as manobras para promover a candidatura de Tatar, como a cerimônia para inaugurar um aqueduto submarino entre o Chipre do Norte e a Turquia, ou a reabertura parcial de uma famosa estação balneária, abandonada desde que o Exército turco desembarcou na ilha.

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