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Governo francês deve expulsar 231 radicais após decapitação do professor

O presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do ministro do Interior Gerald Darmanin, que defende a expulsão de islâmicos radicalizados, alguns já presos - Pool/Reuters
O presidente francês, Emmanuel Macron, ao lado do ministro do Interior Gerald Darmanin, que defende a expulsão de islâmicos radicalizados, alguns já presos Imagem: Pool/Reuters

18/10/2020 17h12

O Conselho de Defesa se reuniu neste domingo (18) à noite em torno de Emmanuel Macron, para dar "respostas concretas, a curto e médio prazo", após a decapitação na sexta-feira do professor Samuel Paty, em Conflans-Sainte-Honorine, a 50 km de Paris. Segundo informações da rádio Europa 1, o governo francês vai ordenar a expulsão de 231 pessoas da lista S (de Segurança de Estado) por radicalização.

O Conselho de Defesa se reuniu neste domingo (18) à noite com o presidente Emmanuel Macron, para dar "respostas concretas, a curto e médio prazo", após a decapitação na sexta-feira do professor Samuel Paty, em Conflans-Sainte-Honorine, a 50 km de Paris. Segundo informações da rádio Europa 1, o governo francês vai ordenar a expulsão de 231 pessoas da lista S (de Segurança de Estado) por radicalização.

O Ministério do Interior conversou neste domingo (18) com os prefeitos da França para alertá-los. As pessoas visadas constam do processo de prevenção da radicalização terrorista, o FSPRT, segundo o sindicato Polícia Alternativa.

Desta lista, 180 pessoas estão atualmente presas. Os outros 51, ainda foragidos, serão presos, especifica o sindicato da polícia.

O Ministério do Interior francês também pediu aos seus serviços que examinassem com mais cuidado os processos dos requerentes de asilo na França, especifica a Polícia Alternativa.

Essas medidas poderiam vir a fortalecer o projeto de lei em preparação destinado a lutar contra o Islã radical, que pode ser "complementado, ampliado, aprofundado", havia indicado anteriormente fontes do governo Macron.

O conselho deve, em particular, estudar medidas relativas às redes sociais, a defesa de professores ameaçados ou à expulsão de estrangeiros radicalizados, todas as questões levantadas pelo assassinato do professor.

Os ministros fizeram consultas durante todo o fim de semana para preparar propostas e vários caminhos já foram mencionados.

O ministro do Interior Gérald Darmanin anunciou que era necessário expulsar estas "231 pessoas em situação irregular e seguidas por suspeita de radicalização", incluindo as 180 pessoas para as quais está prevista a expulsão após cumprirem prisão na França.

Porta-voz critica radicalização nas redes sociais

O porta-voz do governo, Gabriel Attal, destacou neste domingo a "responsabilidade" daqueles que participaram do linchamento público de Samuel Paty na Internet", mas também a das redes sociais que aceitam este tipo de publicação.

Após a censura da lei Avia pelo Conselho Constitucional, em nome da liberdade de expressão, ele especificou que o governo estava trabalhando em "um sistema jurídico para combater o ódio nas redes sociais". Marlène Schiappa, ministra da Cidadania, receberá os responsáveis por estas redes na terça-feira (20).

O primeiro-ministro Jean Castex e seis ministros participam da reunião do Conselho de Defesa: Jean-Yves Le Drian (Relações Exteriores), Jean-Michel Blanquer (Educação Nacional), Florence Parly (Exército), Gérald Darmanin (Interior), Eric Dupond- Moretti (Justiça) e Marlène Schiappa (Cidadania). O procurador da República antiterrorismo, Jean-François Ricard, também compareceu.

O Conselho de Defesa é o órgão de crise que permite ao Chefe de Estado decidir imediatamente.

Emmanuel Macron foi ao local do atentado na noite de sexta-feira (16), em Conflans-Saine-Honorine, onde apelou à "união face ao "obscurantismo".

Uma homenagem nacional será prestada ao professor assassinado nesta quarta-feira (21), em coordenação com a família.

Financiamento por criptomoedas é investigado

Além disso o governo francês está atento ao financiamento do terrorismo em solo europeu, que acontece principalmente por meio de criptomoedas, permitindo aos terroristas sacar dinheiro sem deixar vestígios.

"As criptomoedas são um verdadeiro problema de financiamento do terrorismo ", afirmou neste domingo, na France 3, o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, que quer tomar medidas, após a decapitação do professor em Conflans-Sainte-Honorine.

"Hoje existe um problema de financiamento de um certo número de associações islâmicas ou redes islâmicas nas quais acho que devemos e podemos fazer melhor", disse o ministro que pretende fazer propostas ao ministro da 'Interior, "para fortalecer o controle dos fundos financeiros".

Em meados de setembro, Paris, Berlim, Roma, Madrid e Haia exigiram regras mais rígidas para a implantação de criptomoedas, como a Libra do Facebook, em solo europeu.

(Com informações da Reuters e da AFP)

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