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Europa ultrapassa 250.000 mortes por covid-19 e tenta se proteger

18/10/2020 16h50

Paris, 18 Out 2020 (AFP) - A Europa, imersa em uma forte segunda onda da pandemia, ultrapassou 250.000 mortes de covid-19 neste domingo, enquanto Israel e a cidade australiana de Melbourne começaram um desconfinamento progressivo após serem submetidos a restrições draconianas.

Na última semana, foram registradas 8.342 mortes na Europa, o maior número de mortes em sete dias desde meados de maio nesta região que busca se proteger multiplicando as medidas de saúde.

A Suíça, menos afetada pela primeira onda, mas atualmente enfrentando um aumento "exponencial" de casos, foi o último país europeu a anunciar medidas neste domingo.

A partir de segunda-feira, o uso de máscaras será obrigatório em locais públicos fechados, aeroportos, pontos de ônibus, entre outros, e reuniões também serão restritas e o teletrabalho recomendado.

Com 1.822 mortes por covid-19 em uma população de 8,6 milhões de habitantes, a Suíça é o país europeu onde a doença progrediu mais rapidamente na semana passada (+ 146%), de acordo com uma contagem da AFP.

- 100 dias de confinamento -Em Israel, após um mês de restrições, creches, pré-escolas, parques nacionais e praias reabriram, enquanto empresas que não atendem ao público voltaram a funcionar. Os israelenses agora podem se deslocar a mais de um quilômetro de casa, mas as reuniões permanecem limitadas.

Durante a primavera boreal, Israel suspendeu rapidamente o primeiro bloqueio, buscando relançar a economia. Mas o país de nove milhões de habitantes registrou uma das maiores taxas de infecção por coronavírus do mundo em setembro, embora esse número já tenha sido dividido por quatro, segundo dados da AFP. O país registra mais de 302.800 casos e cerca de 2.200 mortes.

Na Austrália, os cinco milhões de habitantes de Melbourne, a segunda maior cidade do país que está confinada há mais de 100 dias, podem, a partir deste domingo, sair de casa por mais de duas horas por dia, afastando-se a uma distância máxima de 25 quilômetros.

Daniel Andrews, primeiro-ministro do estado de Victoria, onde fica Melbourne, recusou-se a suspender todas as restrições de viagem e a uma reabertura mais ampla de restaurantes e de outros negócios.

Ele afirma que haverá uma nova flexibilização em 1º de novembro, se a pandemia estiver controlada.

"Não faço o que é popular, faço o que é seguro", argumentou.

Esses pequenos sinais de melhora em nível local não invertem a tendência mundial: os indicadores continuam no vermelho. Pelo menos 1,1 milhão de mortes e mais de 39,7 milhões de infecções foram documentadas desde o início da pandemia, de acordo com uma contagem feita neste domingo pela AFP, com base em números oficiais.

Somente no sábado, foram registrados 5.302 óbitos e cerca de 373.000 novos casos.

A região mais afetada é a América Latina e o Caribe, onde mais de 379.000 pessoas perderam a vida e quase 10,5 milhões foram infectadas.

Os Estados Unidos são o país mais atingido com pelo menos 219.000 mortes, seguido pelo Brasil, com mais de 153.000 falecimentos, e pela Índia, que passou de 114.000 vítimas fatais.

- Reuniões proibidas -Na Europa, atualmente mergulhada em uma segunda onda, já são quase 250 mil mortes e mais de 7,3 milhões de casos de contágio. A situação é "muito preocupante", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As novas infecções aumentaram 44% no continente esta semana.

A França, onde se anunciou mais de 32.000 infecções no sábado, estabeleceu toque de recolher entre 21h e 6h por pelo menos um mês em várias cidades importantes - incluindo Paris e sua periferia.

No total, 20 milhões de pessoas se veem afetadas por esta medida, em um país onde mais de 33.300 pessoas já morreram, e mais de 867.000 foram infectadas.

Na noite de sábado, as ruas da capital, geralmente muito animadas, foram-se esvaziando progressivamente em meio ao silêncio, que lembrava o confinamento de quase dois meses decretado durante a primeira onda.

O Reino Unido, país com mais atingido pela pandemia na Europa, com mais de 43.500 óbitos, registrou 15.000 novos casos na sexta-feira. Contra este panorama preocupante, em Londres e em vários outros locais estão proibidas reuniões em espaços fechados entre familiares e amigos que não morem na mesma residência.

Lanchashire (noroeste) e Liverpool estão, por sua vez, em alerta máximo de saúde, o que implica a proibição de encontro entre pessoas de diferentes endereços, em espaços fechados e ao ar livre, além do fechamento de "pubs" que não servem comida.

- Lavem as mãos! -Na Alemanha, que também vem batendo recordes diários de novos casos, a chanceler Angela Merkel pediu à população, no sábado (17), que reduza ao máximo seus encontros sociais e fique em casa.

Na República Tcheca, que tem a maior taxa de infecções e mortes a cada 100.000 habitantes no continente, o governo pediu ao Exército para construir um hospital de campanha com 500 leitos nos arredores de Praga.

Epicentro da pandemia durante a primeira onda, a Itália anunciou na sexta-feira 10.000 novos casos de coronavírus, seu recorde diário. Desde ontem, bares e restaurantes devem fechar à meia-noite na Lombardia (norte), a região mais afetada.

Neste domingo, o governo italiano decidiu desbloquear 39 bilhões de euros (em torno de US$ 45 bilhões) a mais para apoiar a economia.

Lavar as mãos com frequência é essencial para combater a pandemia. Esta foi uma orientação dada repetidamente pela OMS durante a primeira onda, agora confirmada por um estudo japonês. De acordo com a pesquisa, o coronavírus sobrevive até nove horas na pele, cinco vezes mais que a gripe.

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