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Ativista hongkonesa "vovó Wong" denuncia ter sido presa 14 meses na China continental

17/10/2020 18h42

Hong Kong, 17 Out 2020 (AFP) - A ativista pró-democracia de Hong Kong, Alexandra Wong, conhecida como "Vovó Wong", reapareceu neste sábado (17), após 14 meses, nos quais ela afirma ter sido presa e mantida na China continental.

Aos 64 anos, a manifestante disse que foi forçada a assinar uma declaração prometendo renunciar a todo ativismo e que havia sido enviada em uma "viagem patriótica" ao norte da China.

Carinhosamente apelidada de "Vovó Wong" por manifestantes pró-democracia, a ativista compareceu aos protestos com uma enorme bandeira britânica. Ela esteve em quase todas as manifestações desde os primeiros dias da mobilização em junho de 2019.

Wong desapareceu em agosto de 2019, mantendo apenas contatos esporádicos com a mídia na ex-colônia britânica.

Em uma coletiva de imprensa em Hong Kong neste sábado, ela disse que foi presa após um protesto em seu caminho de volta para Shenzhen, a cidade da China continental onde viveu por 14 anos.

Ela afirma que as autoridades de Shenzhen a colocaram em "prisão administrativa" e depois em "prisão penal" por 45 dias, sem que ela soubesse quais eram as acusações.

"Eu estava com medo de morrer no centro de detenção", disse.

Quando sua detenção terminou, ela disse que foi forçada a testemunhar diante de uma câmera que não havia sido torturada e a prometer que não daria entrevistas ou se manifestaria.

Ele também afirma que foi convidada a renunciar ao seu compromisso político por escrito.

"A pior coisa que já fiz foi escrever esta confissão. Mas não tinha como negociar", lamentou.

Essa confissão não a libertou imediatamente, pois foi enviada por cinco dias numa "viagem patriótica" à província de Shaanxi, onde foi fotografada acenando com a bandeira chinesa e cantando o hino nacional.

Ela foi então libertada sob fiança enquanto aguarda julgamento por "incitar distúrbios públicos", uma acusação que as autoridades chinesas costumam usar contra dissidentes.

Ela não recebeu nenhum documento escrito detalhando as acusações.

Por um ano, ela só teve permissão para voltar para casa em Shenzhen, mas não para Hong Kong. Essas restrições foram suspensas no final de setembro.

"Não me atrevo mais a voltar a Shenzhen", disse a jornalistas.

A China quer impor sua autoridade em Hong Kong após a mobilização sem precedentes de 2019.

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