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Esquerda já briga por voto útil em SP

Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo

São Paulo

13/10/2020 06h51

Enquanto Celso Russomanno (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB) aparecem nos primeiros lugares nas mais recentes pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura paulistana, Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB) brigam pelo voto útil da esquerda. Neste início de campanha, os dois tentam provar ao eleitor mais alinhado com as pautas da esquerda que merecem apoio, já que outros nomes desse campo político, como Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB), têm 1% da preferência dos entrevistados, segundo a última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo.

No levantamento, Boulos tem 8% e França, 7%. Como a margem de erro é de três pontos porcentuais, eles estão empatados tecnicamente.

Nesta segunda-feira, 12, após participar de missa no Santuário Nossa Senhora de Fátima, na zona oeste de São Paulo, França se colocou como opção para esse eleitorado. "Lá na frente todo mundo acaba se juntando no voto mais útil da esquerda. Os outros candidatos desse campo têm mais dificuldade de vencer no segundo turno. As pessoas vão no que tem mais chance", disse.

A declaração gerou reação de Boulos, que participou de uma reunião com pais e mães de alunos da rede pública em Itaquera, na zona leste. Ele afirmou que está apto a combater, num eventual 2.º turno, o que chama de "Bolsodoria", referência ao lema da campanha de 2018 para designar apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e do governador João Doria (PSDB).

Indagado se incluiria França no rol de candidatos da esquerda, Boulos respondeu: "Depende do dia, né? Se no dia ele resolver ir para São Vicente tirar foto com o Bolsonaro, não. Se resolver apoiar o João Doria para prefeito, não. Se resolver ser progressista, muito bom. O problema do Márcio França é esse. É uma biruta de aeroporto", afirmou, lembrando que França participou de visita de Bolsonaro à cidade do litoral paulista em agosto e foi vice do tucano Geraldo Alckmin. "É uma coisa muito da política tradicional", acrescentou o candidato do PSOL.

Orlando Silva fez, também ontem, uma analogia parecida, ao falar de França. "É bom tomar cuidado com candidato camaleão, que está louco para chegar ao 2.º turno para abraçar Bolsonaro", disse Silva ao Estadão. Ele ponderou que ainda não é hora de falar em voto útil.

Para o PT, a avaliação é de que França ficou com menos opções depois que Russomanno se lançou atrelado ao bolsonarismo. "Russomanno jogou água na estratégia do França ao se colocar de forma incisiva como candidato do Bolsonaro. Nunca acreditei que o França se posicionaria como candidato bolsonarista, mas ele dava sinais para uma fatia deste eleitorado", afirmou o coordenador da campanha de Tatto, Laércio Ribeiro.

Direita

Do outro lado do campo político, nomes como Joice Hasselmann (PSL) dizem não haver discussão. "Márcio França de direita? Só se ele nascer de novo. É um comunista pintado de laranja", disse Joice após agenda na zona sul. "É o 'Marcinho Pingue-Pongue': não se sabe de que lado está a bolinha."

Ao contrário de Boulos, Tatto e Silva, França vinha evitando fazer críticas ao Planalto e centrou ataques a Doria. "Minha posição histórica sempre foi de centro para esquerda. O Doria disse que eu era lulista. Hoje dizem que fui bolsonarista. A verdade é que não tenho rabo preso com ninguém."

França ponderou que "esse assunto" de esquerda é do meio acadêmico e a população quer saber se a escola vai funcionar. Disse acreditar que Tatto vai crescer e lembrou que, há quatro anos, o candidato petista Fernando Haddad teve 16% dos votos no primeiro turno. "Não é desprezível. Em 2018, o somatório de PT e PSOL foi 19%. A partir da TV é que a coisa começa a esquentar."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que constava no texto, o candidato petista em 2016 foi Fernando Haddad, e não Luiz Marinho. A informação foi corrigida.

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