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França prega voto útil da esquerda no 1° turno da eleição em São Paulo

Pedro Venceslau

São Paulo

12/10/2020 12h03

Candidato do PSB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador Márcio França sinalizou uma mudança de estratégia e se colocou nesta segunda-feira, 12, como opção de voto útil do campo da esquerda na disputa. Na mais recente pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo o pessebista recebeu 7% das intenções de voto e apareceu empatado tecnicamente com Guilherme Boulos (PSOL), com 8%.

"Lá na frente todo mundo acaba se juntando pela circunstância no voto mais útil da esquerda. Os outros candidatos do campo da esquerda têm mais dificuldade de vencer no 2° turno. As pessoas vão naquele que tem mais chance", disse França aos jornalistas após participar de uma missa pela manhã no Santuário Nossa Senhora de Fátima, na zona oeste da cidade.

Boulos e os demais candidatos de esquerda - Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB), que tiveram 1% das intenções de voto na pesquisa -, fizeram uma espécie de pacto de não agressão na campanha e tentam colar em França o selo de "bolsonarista".

Ainda na pré-campanha, o ex-governador do PSB deu munição para esse discurso ao participar de um evento com o presidente Jair Bolsonaro em São Vicente, no litoral paulista, base eleitoral de França. Ao contrário de Boulos, Tatto e Silva, França vinha evitando fazer críticas contundentes ao Palácio do Planalto e centrou sua artilharia no governador João Doria (PSDB), adversário político do presidente da República.

"Nesse corte tradicional, sou do campo da esquerda. Minha posição histórica sempre foi de centro para esquerda", disse França após o evento desta segunda-feira. "O Doria disse que eu era lulista. Hoje alguns dizem que fui bolsonarista. A verdade é que não tenho 'rabo preso' com ninguém."

Ao analisar o cenário, o ex-governador disse que essa eleição é muito parecida com a governador em 2018. "Só que o Bruno (Covas) faz o papel do Doria, o (Celso) Russomanno do (Paulo) Skaf, eu o meu e nesse instante o (Guilherme) Boulos faz o papel do PT. Foi assim na última eleição. Fui subindo devagar e nos últimos dias passei o segundo colocado e fui para o 2° turno muito levado por aquela pessoa que gostaria que os dois campos estivesse no 2° turno"

França ponderou, porém, que "esse assunto" de esquerda é muito falado no ambiente acadêmico, mas a população mesmo quer saber se a escola vai funcionar. "Essa é uma discussão acadêmica de um campo mais politizado", afirmou.

Sobre o desempenho dos adversários deste campo, o ex-governador disse acreditar que Tatto vai crescer e lembrou que na última eleição o candidato a governador do PT, Luiz Marinho, teve 16% dos votos no primeiro turno. "Não é uma votação desprezível. O PT tem potencial. Em 2018 a somatória do PT e PSOL foi 19%. Vamos ter uma divisão de quatro pedaços. A partir da TV é que a coisa começa a esquentar. A TV está produzindo o resultado que a gente imaginou."

Camaleão

Candidato do PCdoB à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal Orlando Silva chamou França de "camaleão". "É bom tomar cuidado com 'candidato camaleão', que está louco pra chegar no segundo turno para abraçar Bolsonaro", disse Silva ao Estadão. Ainda segundo o candidato. quando a eleição tem dois turnos, voto útil no primeiro turno é no candidato que você considera melhor. "E se ele não for ao segundo turno, vota por exclusão", concluiu.

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