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Informe denuncia aumento da violência contra indígenas no Brasil

30/09/2020 12h45

São Paulo, 30 Set 2020 (AFP) - As denúncias de violência contra indígenas brasileiros passaram de 110, em 2018, para 276, em 2019 (+150%) - aponta um informe divulgado nesta quarta-feira (30), por um organismo vinculado à Igreja Católica, que pôs na mira as posições do presidente Jair Bolsonaro.

No documento, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) enumera casos de abuso de poder, ameaças de morte, racismo e discriminação, tentativas de assassinato e violência sexual.

"Os dados de 2019 mostram que os povos e seus territórios tradicionais estão sendo explicitamente usurpados", disse em um comunicado o CIMI, vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Um dos poucos indicadores que mostraram uma redução foi o de assassinatos de indígenas, o qual, de qualquer modo, manteve-se na casa da centena. Foram 113, em 2019, contra 135, em 2018.

As invasões, a exploração ilegal de recursos e os danos ao patrimônio pularam de 109 casos, em 2018, para 256, em 2019.

"Até quando matarão os indígenas para explorar suas terras", questionou o arcebispo e presidente do CIMI, Roque Paloschi, no lançamento virtual do informe.

"Hoje, o maior agressor dos povos indígenas e da natureza é o próprio governo brasileiro", acrescentou.

"A intensificação das expropriações de terras indígenas através da invasão, da ocupação ilegal por parte de estranhos à comunidade (...) se consolida de forma acelerada e agressiva em todo território nacional, causando uma destruição incalculável", reforça o texto.

O relatório afirma que muitos agressores se sentiram estimulados pela chegada de Bolsonaro ao poder, em janeiro de 2019. O presidente de extrema direita se opõe à demarcação de terras indígenas e defende a abertura de seus territórios para a exploração energética e agropecuária.

"Em algumas situações descritas no informe, os próprios invasores mencionavam o nome do presidente da República, confirmando que suas ações criminais são incentivadas por aquele que deveria cumprir a obrigação constitucional de proteger os territórios indígenas, patrimônio do país", insiste o documento.

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