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Grupo denuncia caso de racismo ao tentar entrar em shopping no PA

do UOL

Luciana Cavalcante

Colaboração para o UOL, em Belém (PA)

28/09/2020 22h03

Um grupo de familiares e amigos quase foi impedido de entrar em um shopping em Belém, capital do Pará. Segundo as vítimas, os seguranças as acusaram de ir fazer "arruaça" e "baderna" no local. A família acredita ter sido vítima de racismo, já que, das oito pessoas do grupo, apenas duas não são negras e nenhum comportamento justificou a acusação. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e foi denunciado à polícia.

A advogada Pâmela Apiles, que é irmã e prima das vítimas, assumiu o caso e conta que a irmã, a estudante de estética Pabline, de 24 anos, estava voltando da igreja com dois irmãos menores, de 13 e 15 anos, e dois primos adultos — além de uma família de amigos de três pessoas, incluindo uma criança e uma idosa — quando tudo aconteceu.

"A Pabline estava como tutora dos meninos e todos resolveram ir ao shopping, que fica do outro lado da rua, para tomar um sorvete", disse a jurista, em entrevista ao UOL.

Na chegada, foram hostilizados por dois seguranças que estavam na entrada principal do complexo de lojas, localizado na rodovia BR-316. "Ela me ligou em choque contando o que estava acontecendo, que eles foram proibidos de entrar sendo acusados de ir fazer 'baderna' e 'arruaça' lá. Eu orientei que ela gravasse tudo", contou.

No vídeo, é possível ouvir o momento em que a amiga de Pabline se justifica dizendo que o grupo ia apenas tomar um sorvete, o que não convenceu a dupla de seguranças. Depois de muita discussão, eles conseguem entrar, mas são seguidos pelos seguranças, momento que também é registrado no vídeo gravado pela estudante.

A advogada alega que, apesar de não ter feito nenhum comentário racista, essa situação infelizmente é recorrente.

???????? Gente boa noite estou extremamente constrangida com a situação que acabei de vivenciar com meus irmãos e uma amiga da família, fomos BARRADOS pelo segurança do Shopping porque segundo os seguranças nós íamos fazer bardenas. Nós somos pessoas de bem e tínhamos acabado de sair da igreja onde frequentamos e resolvemos ir tomar um sorvete no shopping, quando os seguranças disseram que não íamos entrar porque íamos fazer bardenas. Gente somos pessoas de Bem, fomos julgados pela aparência porque somos NEGROS e POBRES, que dizer que não temos o direito de tomar um sorvete em um local público? Todos entrando e a gente lá na frente tentando entrar e eles não deixavam. Depois de muita insistência deixaram a gente entrar e fomos fazer uma reclamação no setor de atendimento ao cliente. E saímos do shopping extremamente humilhados diante de uma situação dessa, que jamais pensei um dia passar por algo assim. Até quando os pretos vão passar por isso? Até quando vamos ser julgados por nossa aparência? Queremos igualmente de tratamento. As pessoas precisam tratar as pessoas com respeito, é com grande tristeza no coração que escrevo isso aqui Estou compartilhando isso aqui porque isso tem que mudar, essas coisas não podem mais acontecer com ninguém. @alfinetei @midianinja #negrostemdireitodeusarShopping #naossomosbandidos #vidasnegrasimportam

Uma publicação compartilhada por Pabline Apiles (@pablyne_apiles) em

"Qual o critério deles para olharem para alguém e tirarem conclusões de que vão cometer vandalismo? Porque outras pessoas estavam entrando. Por que olharam para aquele grupo e disseram que iam fazer vandalismo?", questiona.

Ela cita ainda o constrangimento que os familiares e amigos passaram na porta do shopping. "Se fosse um procedimento de parar as pessoas na porta [tudo bem], mas não é, porque outras estavam entrando. Em nenhum momento falaram sobre a cor da pele ou classe social. Aí você pensa: 'será que estavam vestidos de algum modo ou algo assim?' Tem que ter uma justificativa", afirma.

Indignada, a advogada conta que também já passou por várias situações como essa ao longo da vida. "Quem é negro e pobre se sente assim diariamente. Isso não é um fato isolado. Você vai entrando com a sua família num lugar público e é barrado. Nas lojas, perguntam se você tem dinheiro para pagar. Isso tem que acabar".

A estudante de estética foi direto para o serviço de atendimento ao cliente para registrar a reclamação e depois para a delegacia para fazer o boletim de ocorrência.

"Hoje, muitas pessoas perguntaram qual o nosso objetivo em expor esse caso. É que sirva de exemplo para que, mesmo que as pessoas não gostem, que retenham seus comentários para que outras pessoas não sofram. Guardem seu preconceito para si. Para que isso não se repita nas repartições, estabelecimentos, para que todo mundo seja olhado como humano, que não seja julgado pela sua aparência", desabafa a advogada e familiar das vítimas.

Versão do shopping

O shopping Castanheira emitiu nota onde reafirma sua política de segurança contra os chamados "rolezinhos" e lamenta o uso das redes sociais para desinformar a população usando a desculpa de racismo.

A nota diz ainda que o shopping repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório e ressalta que trabalha continuamente para que todos os clientes se sintam acolhidos com segurança.

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