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Militares vão pagar pelos erros e também pelos acertos do governo, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participa do "Roda Viva" - Reprodução/TV Cultura
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participa do "Roda Viva" Imagem: Reprodução/TV Cultura
do UOL

Do UOL, em São Paulo

28/09/2020 22h34

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou, na noite de hoje, que militares irão pagar tanto pelos erros quanto pelos acertos ao comentar o número excessivo de militares em cargos no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). A declaração ocorreu durante participação no programa "Roda Viva", da TV Cultura.

"Acho que há um excesso [de militares], não é necessário. Há gente civil competente, assim como militares também. Agora, eu, se fosse presidente —ainda bem que não sou mais porque é complicado—, não poria ninguém só de uma categoria, acho que é exagero. Tudo que fizer vai ser atribuído aquela categoria. Os militares, queiram ou não queiram, vão pagar agora pelos erros e também pelos acertos do governo", disse FHC.

O número de militares da ativa e da reserva em cargos civis mais que dobrou no governo de Bolsonaro, em comparação com o último ano da gestão de Michel Temer (MDB), segundo levantamento feito TCU (Tribunal de Contas da União) e obtido pela reportagem do UOL.

Até julho, eram 6.157 militares nesta situação, em comparação com 2.765, em 2018. Eles ocupam cargos em conselhos de estatais, na alta administração do Poder Executivo, cargos comissionados, temporários e na administração Pública. Também há 1.249 militares em cargos de profissionais da saúde. Antes do governo Bolsonaro, eram 718 militares exercendo estas funções.

"Não igualo Lula a Bolsonaro"

Ainda durante o programa, FHC traçou uma comparação de perfis entre Bolsonaro e o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse não igualar um ao outro.

"Eu não igualo Lula ao Bolsonaro. Não conheço Bolsonaro, nunca vi. Ele foi deputado, quis me fuzilar, eu nem sabia que ele existia. O Lula eu conheço, conheço quando era operário. Eu não acho que sejam [semelhantes], para começar. [Eles têm] temperamento diferentes", iniciou FHC.

"O Lula simboliza a inclusão de grupos de trabalhadores e de pessoas que não estavam na vida social e política, ele trouxe para vida política. O Bolsonaro não precisou trazer ninguém, ele me parece pertencer a um grupo que tem mais restrições. O Lula é mais maleável, parece", completou.

"Não dá mais para fechar os olhos"

Presidente de honra do PSDB, FHC não citou nenhum caso de corrupção envolvendo políticos tucanos, mas disse que o partido "não pode mais fechar os olhos" nem "tapar o sol com a peneira" e precisa "passar por uma revisão profunda".

"Acho que todos os partidos têm que sofrer um processo de revisão profunda. O PSDB quando foi fundado, sou um dos fundadores, a maioria de nós pertencia ao MDB, ou PMDB [naquela época]. Por que criamos um partido novo? Porque o MDB perdeu identidade naquele momento, ficou diversificado, tem muitas correntes, em tudo se dividia. Talvez esteja acontecendo algo semelhante no PSDB. Os partidos nascem e morrem também, espero que o PSDB não morra", afirmou ele.

"Se o PSDB tiver uma boa indicação para presidente da República, ou prefeito de São Paulo, governo de São pulo, ele continua sobrevivendo. Mas isso não é suficiente", prosseguiu "Mas acho que os partidos, se quiserem ser sinceros, devem dizer as coisas como são. Não dá mais para o PSDB fechar os olhos: 'ah, não aconteceu nada'. Acontece, não vou personalizar, algumas são injustas, outras são justas, mas não se pode tapar o sol com a peneira", concluiu.

FHC sobre novo ministro do STF: "Que julgue pela lei"

FHC também falou sobre a indicação de um novo ministro à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) —Celso de Mello decidiu antecipar sua aposentadoria para o dia 13 de outubro, e não mais para 1º de novembro. O ministro irá completar 75 anos, idade que torna obrigatória a aposentadoria no serviço público no Brasil.

"Não tenho receio. O presidente Bolsonaro é da Constituição, ele teve a sorte de poder indicar. Ele não vai indicar pessoas muito diferentes do que ele pensa. Agora, essa pessoa pode ou não se comportar de acordo com o esperado. E o que se espera? Que julgue pela lei, não pelo seu sentimento pessoal", disse.

"É difícil que num colegiado pequeno como o STF, no qual eles exercem com liberdade de suas opiniões, que a opinião de um não influencie a de outro. Os juízes são seres humanos, são influenciados pela sociedade também. É indiscutível que houve uma tendência no Brasil mais conservadora. O eleitorado mesmo votou no personagem, o presidente da República. Mas o Supremo varia menos porque tem a lei. O importante é que seja um sujeito competente", acrescentou.

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