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FHC diz que PSDB deve fazer autocrítica: 'Não dá mais para fechar os olhos'

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participa do "Roda Viva" - Reprodução/TV Cultura
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participa do "Roda Viva" Imagem: Reprodução/TV Cultura
do UOL

Do UOL, em São Paulo

28/09/2020 23h17

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso afirmou, na noite de hoje, que o partido precisa fazer "autocrítica" e "passar por uma revisão profunda" durante entrevista concedida ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

FHC não citou nenhum caso de corrupção envolvendo políticos tucanos, mas disse que o partido "não pode mais fechar os olhos" nem "tapar o sol com a peneira".

"Acho que todos os partidos têm que sofrer um processo de revisão profunda. O PSDB quando foi fundado, sou um dos fundadores, a maioria de nós pertencia ao MDB, ou PMDB [naquela época]. Por que criamos um partido novo? Porque o MDB perdeu identidade naquele momento, ficou diversificado, tem muitas correntes, em tudo se dividia. Talvez esteja acontecendo algo semelhante no PSDB. Os partidos nascem e morrem também, espero que o PSDB não morra", afirmou ele.

"Se o PSDB tiver uma boa indicação para presidente da República, ou prefeito de São Paulo, governo de São pulo, ele continua sobrevivendo. Mas isso não é suficiente", prosseguiu.

"Mas acho que os partidos, se quiserem ser sinceros, devem dizer as coisas como são. Não dá mais para o PSDB fechar os olhos: 'ah, não aconteceu nada'. Acontece, não vou personalizar, algumas são injustas, outras são justas, mas não se pode tapar o sol com a peneira", concluiu.

O PSDB foi fundado em 1988 a partir de uma dissidência do PMDB —à época o partido mais poderoso da República. Líderes políticos fortes em São Paulo como José Serra, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso foram alguns dos fundadores da agremiação.

Desde 1994, PT e PSDB protagonizaram todas as eleições presidenciais no país. Com exceção de 2018, quando os tucanos ficaram de fora do segundo turno e tiveram de se contentar com seu papel de coadjuvantes na principal disputa pela primeira vez em 24 anos.

Nos últimos anos, caciques tucanos, como Aécio Neves e José Serra, que disputaram eleições presidenciais no passado, viram seus nomes envolvidos em acusações de corrupção.

"Brasil não andou para trás"

Ao avaliar a situação do Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o país "não andou para trás".

"O país que temos é melhor do que quando eu era criança, muito melhor. Havia muito mais pobreza, educação mais precária, você tem mais acesso, crianças na escola... O Brasil não andou para trás", avaliou.

"Agora, com relação a questões políticas, as visões são variadas. Os partidos controlam pouco o comportamento do eleitorado. Não sou do estilo de ficar bajulando quem está no poder. O presidente Bolsonaro [sem partido], que não conheço, não sou favorável ao tipo de política que ele prega, que é mais de intolerância, sou mais aberto a aceitação da diversidade. Meu partido me acompanha? Não sei, já disse que naõ estou falando o que meu partido pensa", ponderou.

Aos 89 anos, FHC afirmou esperar "que o PSDB seja capaz de produzir lideranças que tenham uma visão de Brasil mais semelhantes com a realidade brasileira".

FHC sobre novo ministro do STF: "Que julgue pela lei"

FHC também falou sobre a indicação de um novo ministro à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) —Celso de Mello decidiu antecipar sua aposentadoria para o dia 13 de outubro, e não mais para 1º de novembro. O ministro irá completar 75 anos, idade que torna obrigatória a aposentadoria no serviço público no Brasil.

"Não tenho receio. O presidente Bolsonaro é da Constituição, ele teve a sorte de poder indicar. Ele não vai indicar pessoas muito diferentes do que ele pensa. Agora, essa pessoa pode ou não se comportar de acordo com o esperado. E o que se espera? Que julgue pela lei, não pelo seu sentimento pessoal", disse.

"É difícil que num colegiado pequeno como o STF, no qual eles exercem com liberdade de suas opiniões, que a opinião de um não influencie a de outro. Os juízes são seres humanos, são influenciados pela sociedade também. É indiscutível que houve uma tendência no Brasil mais conservadora. O eleitorado mesmo votou no personagem, o presidente da República. Mas o Supremo varia menos porque tem a lei. O importante é que seja um sujeito competente", acrescentou.

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