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Suspeito de ataque com faca em Paris mirava Charlie Hebdo, diz fonte

26/09/2020 12h17

Por Matthias e Blamont

PARIS (Reuters) - O homem suspeito de ter realizado ataques com uma faca de açougueiro que feriram duas pessoas na sexta-feira está cooperando com a polícia e disse que tinha como alvo a revista semanal de humor Charlie Hebdo, disse uma fonte policial à Reuters.

Os ataques ocorreram em frente ao prédio onde militantes islâmicos atiraram contra funcionários do Charlie Hebdo em 2015 devido à republicação de charges que retratavam o profeta Maomé.

O incidente coincidiu com o início neste mês do julgamento de 14 supostos cúmplices do ataque ao Charlie Hebdo. Os homens armados por trás desse ataque mataram 12 pessoas.

Uma fonte judicial disse que a custódia do suspeito foi prorrogada na manhã deste sábado. De acordo com a lei francesa, ele enfrenta uma investigação formal no final do processo.

Um suspeito de ser cúmplice do agressor foi libertado na madrugada de sábado, enquanto outra pessoa próxima do suposto agressor e que poderia ter sido seu ex-colega de quarto em um hotel ao norte de Paris foi presa.

Ao meio-dia deste sábado, sete pessoas continuavam sob custódia, incluindo o suspeito de ataque.

A polícia deteve rapidamente o homem suspeito de realizar o ataque ao lado da escada de uma casa de ópera a cerca de 500 metros de distância.

O suposto agressor era do Paquistão e chegou à França há três anos como menor desacompanhado, disse o ministro do Interior, Gerald Darmanin.

Um segundo suspeito foi detido momentos depois do ataque e os promotores estavam tentando estabelecer sua relação com o agressor. Ele foi libertado sem acusações, disse a fonte.

O Charlie Hebdo desocupou seus escritórios após o ataque de 2015 e atualmente está em um local secreto. O prédio agora é usado por uma produtora de televisão.

Dois funcionários da produtora, um homem e uma mulher, estavam na rua fazendo uma pausa para fumar quando foram atacados, segundo promotores e um colega das vítimas.

Depois do ataque de 2015 ao Charlie Hebdo, os investigadores disseram que os militantes queriam vingar a publicação de charges retratando o profeta Maomé na revista. O Charlie Hebdo republicou o material na véspera do julgamento.

A Al-Qaeda, grupo militante islâmico que assumiu a responsabilidade pelo ataque de 2015, ameaçou atacar o Charlie Hebdo novamente após a republicação dos desenhos.

A França tem experimentado uma onda de ataques de militantes islâmicos nos últimos anos. Bombardeios e tiroteios em novembro de 2015 na casa de shows Bataclan e em locais ao redor de Paris mataram 130 pessoas e, em julho de 2016, um militante islâmico dirigiu um caminhão sobre uma multidão que comemorava o Dia da Bastilha em Nice, matando 86.

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