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Livro revela que Macron autoriza execução em série de jihadistas

25/09/2020 10h26

O jornalista Vincent Nouzille, do diário conservador Le Figaro, revela nesta sewta-feira (25) um aspecto inédito da ação de Emmanuel Macron enquanto chefe das Forças Armadas francesas. Macron tem ordenado operações militares cada vez mais ofensivas e a execução em série de jihadistas. As revelações estão contidas na segunda edição do livro "Os assassinos da República" (editora Fayard), de Nouzille, que acaba de chegar às livrarias.

O jornalista Vincent Nouzille, do diário conservador Le Figaro, revela nesta sewta-feira (25) um aspecto inédito da ação de Emmanuel Macron enquanto chefe das Forças Armadas francesas. Macron tem ordenado operações militares cada vez mais ofensivas e a execução em série de jihadistas. As revelações estão contidas na segunda edição do livro "Os assassinos da República" (editora Fayard), de Nouzille, que acaba de chegar às livrarias.

"Na 'guerra contra o terrorismo' no exterior, Emmanuel Macron não economiza no uso da força, seja no Iraque ou na Síria, onde autorizou operações de forças especiais e ataques seletivos contra membros do Estado Islâmico, ou na região africana do Sahel, onde reforçou o contingente militar da missão Barkhane nos últimos meses", revela o jornalista do Le Figaro. De forma discreta, o líder centrista tem autorizado operações clandestinas conhecidas como "grilhões", que podem eliminar inclusive jihadistas de nacionalidade francesa. Essa guerra secreta, iniciada sem escrúpulos pelo ex-presidente François Hollande, foi ampliada por Macron, informa Nouzille.

O jornalista descreve a execução recente de suspeitos do atentado que matou, em 9 de agosto, seis agentes humanitários franceses da ONG Acted e seus dois guias nigerinos em um parque natural no Níger. Dois grupos jihadistas rivais atuam nessa região da África: o GSIM (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos), ligado à Al Qaeda, e o EIGS (Estado Islâmico no Grande Sahara).

Dois dias depois do massacre, em uma reunião do Conselho de Defesa, Macron determinou a identificação e a execução dos suspeitos. Após quatro dias de uma investigação de inteligência, helicópteros franceses destruíram duas bases logísticas do grupo ligado à Al Qaeda, principal suspeito do ataque. Na manhã de 17 de agosto, um drone Reaper da Força Aérea lançou uma bomba guiada a laser contra uma pick-up de supostos jihadistas, matando todos os ocupantes do veículo. Em seguida, uma patrulha de dois aviões Mirage 2000D destruiu o acampamento temporário dos jihadistas no deserto, matando vários "terroristas", segundo o comando militar francês.

Determinação marcial

De acordo com Nouzille, não foi a primeira vez que Macron demonstrou sua determinação marcial e sua vontade de punir suspeitos de terrorismo. Desde sua eleição em maio de 2017, ele adotou o uniforme de chefe de guerra com a mesma determinação de seu antecessor François Hollande. "É uma lâmina fria", diz um oficial militar próximo do presidente. "Ele analisa e decide rapidamente", acrescenta um de seus assessores. "Macron assume plenamente as suas responsabilidades constitucionais como chefe das Forças Armadas, com toda a seriedade que isso implica, sem hesitação", diz a deputada Françoise Dumas, presidente da Comissão de Defesa da Assembleia Nacional.

Segundo o autor do livro "Os assassinos da República", nada predestinava Macron para uma postura tão belicosa. O presidente francês é graduado em filosofia e finanças, e em nenhum momento de sua vida, até chegar ao Palácio do Eliseu, foi instruído para lidar com assuntos militares ou para se familiarizar com o mundo da inteligência. Mas a eleição, o peso do cargo e seu desejo de assumir o controle dessas questões o transformaram, observa Nouzille.

No dia a dia, Macron acompanha as operações militares da França em tempo real, com a ajuda de seu novo chefe de gabinete, o almirante Jean-Philippe Rolland. Em princípio, essas eliminações sucessivas de líderes deveriam desorganizar os grupos jihadistas. Mas, na prática, os chefes são rapidamente substituídos, ampliando as zonas de conflito.

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