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Centenas protestam em Marselha contra fechamento de bares e restaurantes para conter Covid-19

25/09/2020 08h13

Um protesto em Marselha, no sul da França, reuniu na manhã desta sexta-feira (25) cerca de mil donos de bares e restaurantes revoltados com a decisão do governo francês de fechar os estabelecimentos por duas semanas, para evitar a propagação do coronavírus. Eles têm o apoio dos políticos locais de esquerda e de direita. A situação epidêmica na cidade é a mais grave do país, segundo as autoridades francesas.

Um protesto em Marselha, no sul da França, reuniu na manhã desta sexta-feira (25) cerca de mil donos de bares e restaurantes revoltados com a decisão do governo francês de fechar os estabelecimentos por duas semanas, para evitar a propagação do coronavírus. Eles têm o apoio dos políticos locais de esquerda e de direita. A situação epidêmica na cidade é a mais grave do país, segundo as autoridades francesas.

O ministro da Saúde, Olivier Verán, viaja hoje a Marselha para explicar sua decisão. Reunidos em frente ao Tribunal do Comércio da cidade, os manifestantes gritavam: "A conta é salgada", "O vaso transbordou", "Insuportável" e "Nos deixem trabalhar". O nome do ministro da Saúde, que anunciou na última quarta-feira (23) as novas medidas sanitárias na França, também foi vaiado.

A metrópole Marselha-Aix en Provence, particularmente afetada pela alta dos casos de Covid, foi colocada em estado de alerta máximo pelo governo francês, que decidiu fechar os bares e restaurantes da região por 15 dias para frear as contaminações. Os manifestantes querem um adiamento de dez dias na aplicação da medida, que entra em vigor neste sábado (26). "Estávamos começando a nos recuperar. Não quero ajuda do governo, quero que nos deixem trabalhar", declarou Patrick Labourrasse, dono de um restaurante de Aix-en-Provence.

Apoio de políticos locais

A prefeitura de Marselha expressou seu descontentamento com a medida, que chamou de "afronta". Um representante local classificou o fechamento dos bares e restaurantes de "castigo coletivo". Mais de 50 políticos de esquerda e de direita da região se uniram e publicaram uma tribuna contra as decisões governamentais.

"Vocês cometem um erro estratégico fundamental. Vocês agravam a crise econômica e fabricam uma crise social, sem resolver a crise sanitária", denuncia o texto. O presidente da região, Renaud Muselier, anunciou que vai entrar na justiça contra a decisão. Já a vice-prefeita de Marselha, Samia Ghalia, disse que a polícia municipal não vai multar os bares e restaurantes que permanecerem abertos.

Medidas necessárias

Os chefes de UTIs da cidade alegam que a medida radical era necessária, já que a ocupação dos leitos em reanimação chegou a 50% e pode haver saturação da rede nos próximos dias. O ministro da Saúde visitará nesta tarde o hospital público "Timone" de Marselha. Um encontro entre Olivier Véran e o polêmico infectologista Didier Raoult, que também questiona as últimas decisões do governo, não está previsto.

A França registrou 16.096 novos infectados pela Covid-19 em 24 horas, um recorde desde o início da campanha de testagem em massa da população. "A opinião pública deve ficar muito atenta. Se não agirmos, poderemos nos encontrar em uma situação próxima à da primavera, o que pode significar uma nova quarentena nacional", advertiu o primeiro-ministro Jean Castex. O premiê defendeu o endurecimento das medidas nas grandes aglomerações na noite desta quinta-feira (24).

Além de Marselha, que é a segunda maior cidade do país, Paris também é afetada. Na capital, as academias e instalações esportivas serão fechadas, incluindo pisicinas cobertas, e os bares só poderão ficar abertos até 22h00, desagradando a prefeita parisiense. Para Anne Hidalgo, essas medidas "são difíceis de entender".

Em todo o país, os agrupamentos públicos serão limitados a 1.000 pessoas, contra 5.000 mil atualmente. A decisão afeta especialmente o torneio de tênis de Roland-Garros, que terá início no próximo domingo (27), com quatro meses de atraso.

 

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