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Sanções americanas afetam 'estabilidade' da Venezuela, diz Maduro na ONU

Nicolás Maduro, durante discurso na Assembleia Constituinte, em Caracas - Federico Parra/AFP
Nicolás Maduro, durante discurso na Assembleia Constituinte, em Caracas Imagem: Federico Parra/AFP

23/09/2020 21h12

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que as sanções de Washington "colocam em perigo a estabilidade" do país e da região, exigindo à ONU (Organização das Nações Unidas) o fim das medidas contra seu governo e seus aliados internacionais.

Em Washington, "foi imposto o excesso, que é o mais terrível dos pecados, e que parece ter se apoderado das elites americanas", criticou o mandatário venezuelano em discurso virtual exibido hoje na 75ª Assembleia Geral da ONU.

"Em meio a uma pandemia mundial, ninguém entende, nem se explica, o ressurgimento da perseguição criminosa, do bloqueio, contra países nobres como Cuba, Nicarágua, Venezuela, Síria e outros países irmãos", continuou Maduro, que não comparece presencialmente às reuniões da ONU desde 2018.

Com a "violação ilegal" da Carta das Nações Unidas, "a estabilidade de nosso país e da região latino-caribenha está em perigo", continuou Maduro, que exige o fim de todas as sanções. Anteontem, Maduro foi alvo de novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos por comercializar armas com o Irã, um dos países aliados da Venezuela, ao lado de Rússia, China, Turquia e Cuba.

A administração Trump lidera uma campanha internacional para promover a saída do poder de Maduro, cuja reeleição em 2018 não é reconhecida pelos Estados Unidos. O governo americano também acusa o mandatário venezuelano de corrupção e graves abusos dos direitos humanos.

Washington reconhece o líder do Parlamento, o opositor Juan Guaidó, como o presidente interino da Venezuela, respaldado por cerca de 60 nações, e impõe uma série de sanções que incluem um embargo petrolífero vigente desde abril de 2019.

No início deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações de tráfico de drogas contra Maduro e seu círculo íntimo, oferecendo uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levem à captura do mandatário venezuelano.

"Ainda há tempo para se voltar à legalidade internacional, de reverter o desprestígio", disse Maduro na ONU.

A Venezuela atravessa a pior crise econômica de sua história recente, com uma hiperinflação e uma recessão que se encaminha para um sétimo ano seguido. Cerca de 5 milhões de cidadãos abandonaram o país desde 2015, segundo a ONU.

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