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Europa não se comprometerá com sanções contra Irã, diz Macron

22/09/2020 16h25

NOVA YORK, 22 SET (ANSA) - No último discurso da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) desta terça-feira (22), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a França e seus aliados europeus - Alemanha e Reino Unido - "não farão concessões" sobre as sanções dos Estados Unidos contra o Irã.   

"A França, com seus parceiros da Alemanha e Reino Unido, manterá sua exigência de aplicação plena e total do Acordo de Viena de 2015" sobre o programa nuclear iraniano, afirmou o francês.   

Macron atacou a política de "pressão máxima" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que ela falhou em conter a interferência de Teerã na região ou garantir que não iria adquirir uma arma nuclear.   

"Não vamos comprometer a ativação de um mecanismo que os Estados Unidos, depois de sair do acordo, não estão em posição de ativar por conta própria", acrescentou.   

"Isso prejudicaria a unidade do Conselho de Segurança, a integridade de suas decisões e correria o risco de agravar ainda mais as tensões na região", alertou.   

O governo americano diz que está "retirando" todas as sanções da ONU contra o Irã impostas sob o acordo nuclear com Teerã, negociado pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama, mas que Trump abandonou.   

Washington, no entanto, defende que pode impor novamente as sanções porque ainda é um "participante" do acordo, uma posição denunciada pela Europa.   

Macron, por sua vez, aproveitou seu discurso para avisar que a França e seus parceiros "não aceitariam as violações cometidas pelo Irã", que aumentou sua atividade nuclear em resposta ao abandono dos EUA.   

A fala do mandatário francês foi marcada por uma série de pedidos de paz e duras críticas contra o terrorismo e a proliferação de armas de destruição em massa. Como exemplo, Macron citou o Irã e a Coreia do Norte, além de pedir que ambos os países tenham comprometimento com os acordos sobre armas nucleares.   

O presidente francês ressaltou também que não será tolerado "uso de armas químicas na Europa, Rússia e Síria" e pediu esclarecimentos sobre o envenenamento de Alexei Navalny, opositor do presidente russo, Vladimir Putin.   

Neste ano, por causa da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), os líderes mundiais enviaram vídeos com seus discursos gravados. Na sua gravação, Macron afirmou ter certeza de que, em breve, uma cura para a Covid-19 será descoberta, mas enquanto isso a humanidade terá que aprender a "conviver com o vírus".   

Além disso, ele disse que o mundo não pode ficar à mercê da rivalidade entre os Estados Unidos e a China. "O mundo não deve ser dominado pela rivalidade entre a China e os Estados Unidos, não importa o peso dessas duas grandes potências", enfatizou Macron, apelando para a comunidade internacional "construir novas alianças".   

O chefe de Estado da França reafirmou que a pandemia de Covid-19 enfatizou a necessidade das nações se unirem para trabalhar de novas maneiras.   

"Nesta crise, mais do que qualquer outra, exige cooperação", disse. "Temos que aprender a conviver com o vírus. O mundo tem que aprender a conviver com essa nova realidade". (ANSA)
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