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EUA e China trocam acusações na ONU em clima de nova 'Guerra Fria'

22/09/2020 21h22

Nações Unidas, Estados Unidos, 23 Set 2020 (AFP) - Os Estados Unidos e a China trocaram duros ataques nesta terça-feira (22), no início da Assembleia Geral da ONU, ilustrando o risco de uma nova "Guerra Fria" entre as duas grandes potências mundiais em meio à pandemia do coronavírus.

Seis semanas antes da eleição presidencial em que busca a reeleição, e atrás de seu rival democrata Joe Biden nas pesquisas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente a maneira como Pequim lidou com a pandemia e se referiu ao coronavírus como "o vírus chinês".

"Devemos responsabilizar as nações que liberaram esta praga para o mundo, a China", disse Trump em um discurso virtual pré-gravado no qual prometeu "distribuir uma vacina" e "acabar com a pandemia", que já matou mais de 200 mil pessoas em seu país, mais do que em qualquer outra nação do mundo.

O presidente chinês, Xi Jinping, por sua vez, garantiu que seu país "não pretende entrar na Guerra Fria" e lamentou a "politização" da luta contra o covid-19, que deixou quase um milhão de mortos no mundo. Sem mencionar os EUA, ele pediu para não cair "na armadilha de um choque de civilizações".

Trump, que denunciou como a China silenciou inicialmente os primeiros casos de coronavírus no final do ano passado na cidade de Wuhan, retirou seu país da Organização Mundial de Saúde (OMS), que ele diz ser controlada por Pequim.

O embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, por sua vez, acusou Trump de espalhar "um vírus político" na Assembleia Geral.

Um negacionista das mudanças climáticas que abandonou o Acordo de Paris, Trump garantiu que os EUA têm "um desempenho excepcional" em questões ambientais e atacou "a poluição endêmica da China", maior emissor mundial de gases do efeito estufa.

Xi, entretanto, anunciou pela primeira vez a meta de atingir a neutralidade em carbono até 2060.

- "Grande fratura" -Diante da pandemia do coronavírus, o mundo deve "fazer todo o possível para evitar uma nova Guerra Fria", defendeu o chefe da ONU, Antonio Guterres, ao abrir a 75ª Assembleia Geral da entidade.

"Estamos caminhando em uma direção muito perigosa", alertou, denunciando a crescente rivalidade entre China e Estados Unidos no mundo. "Nosso mundo não pode permitir um futuro em que as duas maiores economias dividam o planeta em uma grande fratura", advertiu Guterres.

O presidente Jair Bolsonaro usou seu discurso para denunciar que o Brasil "é vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal", regiões atualmente devastadas por incêndios.

"O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de alimentos. E por isso há tanto interesse em propagar desinformações sobre nosso meio ambiente", argumentou.

O presidente minimizou os incêndios que assolam a maior floresta tropical do mundo e a savana alagada brasileira. Ele afirmou que grande parte deles não têm origem criminosa e os atribuiu às queimadas que segundo ele são praticadas por indígenas e pequenos agricultores.

Ambientalistas e cientistas reagiram, garantindo que a maioria dos incêndios é causada por madeireiros e latifundiários que buscam utilizar essas terras para pastagem de gado e expansão de suas lavouras.

Em seu discurso, Bolsonaro "negou a gravidade da destruição ambiental, culpou 'pequenos agricultores e indígenas' e atacou o trabalho de organizações ambientais", lamentou Camila Asano, da ONG Conectas Direitos Humanos.

- Irã: EUA deverá "ceder" -A tensão entre Estados Unidos e Irã cresceu sob o governo Trump, que em 2018 abandonou o acordo nuclear e aplicou vastas sanções unilaterais contra Teerã.

"Qualquer governo americano após as próximas eleições não terá escolha a não ser ceder à resiliência da nação iraniana", disse o presidente iraniano, Hassan Rohani, em seu discurso.

Os Estados Unidos desafiaram a ONU na segunda-feira ao anunciar sanções contra o Irã e o presidente venezuelano Nicolás Maduro, argumentando que eles violam um embargo de armas da ONU.

No entanto, quase todos os outros países, incluindo aliados europeus, afirmam que os Estados Unidos não têm autoridade para aplicá-las.

Nenhum líder viajou a Nova York para participar desta reunião inédita da Assembleia Geral, virtual, com discursos pré-gravados de líderes de 193 países, devido ao vírus que já deixa quase um milhão de mortes no mundo.

Na quarta-feira, será a vez de Maduro, acusado de crimes contra a humanidade pela ONU, e à margem da Assembleia, e do opositor Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional e reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países.

O presidente colombiano Iván Duque afirmou em seu discurso que as eleições de 6 de dezembro para renovar o parlamento venezuelano, boicotadas por Guaidó e cerca de 30 partidos de oposição, são uma "orquestra eleitoral pré-fabricada" para "perpetuar a ditadura".

"O regime ditatorial de Maduro se sustenta com recursos do narcotráfico, abriga terroristas e é uma ameaça constante à democracia na região e em todo o mundo", disse Duque.

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