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Guia supremo do Irã relembra a "determinação" do seu país na guerra com o Iraque

21/09/2020 14h06

Teerã, 21 Set 2020 (AFP) - A guerra Irã-Iraque mostrou que a República Islâmica estava "determinada" a derrotar todos os seus inimigos, declarou o guia supremo iraniano Ali Khamenei nesta segunda-feira (21), comemorando o 40º aniversário do sangrento conflito, sem fazer menção à situação atual.

"Durante oito anos eles combinaram todas as suas forças (contra o Irã), mas no final não deu em nada. Podemos imaginar uma vitória maior? A nação iraniana alcançou uma vitória brilhante", declarou o aiatolá Khamenei em um discurso televisionado.

A guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988) foi iniciada por Bagdá, em 22 de setembro de 1980.

Durante o conflito, o ditador iraquiano Saddam Hussein foi apoiado por ocidentais, pela maioria dos países árabes, assim como pela então União Soviética e vários países do bloco oriental, todos ansiosos para impedir a expansão da Revolução Islâmica do aiatolá Ruholah Khomeini, que havia assumido o poder menos de dois anos antes.

Saddam Hussein era apenas um "instrumento" nas mãos de potências estrangeiras aliadas contra a República Islâmica, segundo Khamenei.

A guerra "demonstrou que a agressão contra este país é difícil" e que "quando uma nação mostra que está determinada a se defender e reage de forma devastadora ao agressor, o agressor é forçado a refletir", acrescentou o guia supremo.

O aiatolá Khamenei não fez alusão à situação atual, marcada nos últimos meses por fortes tensões nas relações entre os Estados Unidos e o Irã.

No domingo, o presidente iraniano, Hassan Rohani, ressaltou o "isolamento" dos Estados Unidos depois que o governo americano proclamou de forma unilateral a retomada das sanções da ONU contra o Irã, decisão rejeitada pela Rússia e pelos países europeus.

- Centenas de milhares de mortos -O conflito entre o Irã e o Iraque terminou em 1988, com os dois no limite de suas forças e sem ganho territorial por parte de um ou outro.

O Irã se considera o vencedor da "guerra imposta" pelo Iraque, pois conseguiu preservar a integridade territorial do país. O conflito também ajudou a fortalecer a nascente República Islâmica que Saddam Hussein queria derrubar.

"O inimigo não poderia se apropriar de um único centímetro de nosso território, o (sistema político da República Islâmica) era muito mais poderoso no final daqueles oito anos de guerra do que no início do conflito", afirmou o aiatolá Khamenei.

A guerra Irã-Iraque causou centenas de milhares de mortes. O historiador francês Pierre Razoux, autor de um livro sobre o conflito, estima que seu custo humano "chega a cerca de 680.000 mortos e desaparecidos, 180.000 no lado iraquiano, 500.000 no lado iraniano".

Ao contrário do habitual, devido à pandemia do novo coronavírus, nenhum desfile militar foi organizado para comemorar o aniversário da guerra.

Em relação à pandemia, Khamenei solicitou que a população respeite as normas de saúde adotadas para derrotar a doença, e criticou vários compatriotas por não levarem em consideração o perigo que ela representa.

De acordo com os últimos dados divulgados na segunda-feira, no Irã a epidemia causou quase 24.500 mortes, de um total de 425.000 pessoas contaminadas.

Khamenei, observando que o vírus causa em média 150 mortes por dia, perguntou: "Suponha que um avião com 300 pessoas a bordo caísse dia sim, dia não, e todos morressem. Isso seria irrelevante?".

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