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Com sala de isolamento e protocolo hospitalar, escolas reabrem na Grande SP

Sala de isolamento na Escola Primeiro Passo, que será utilizada em casos de suspeita do novo coronavírus - Alex Tajra/ UOL
Sala de isolamento na Escola Primeiro Passo, que será utilizada em casos de suspeita do novo coronavírus Imagem: Alex Tajra/ UOL
do UOL

Alex Tajra

Do UOL, em Santana de Paranaíba (SP)

21/09/2020 15h41

Escolas particulares de três cidades da Região Metropolitana de São Paulo foram autorizadas a reabrir hoje para atividades de orientação e reforço, depois de mais de seis meses fechadas. Em Santana de Parnaíba, a cerca de 40 quilômetros da capital, instituições privadas voltaram a receber alunos com protocolos rígidos de higiene, incluindo salas reserva e de isolamento.

Segundo os protocolos do governo estadual, devem ser respeitados os limites de até 35% dos alunos no ensino infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental e de até 20% dos alunos para os anos finais do fundamental e para o ensino médio.

Na Escola Primeiro Passo, voltada à educação infantil, uma televisão ligada logo na entrada orienta alunos, funcionários e professores em relação às fases de contaminação. Caso a escola confirme um caso de covid-19, um protocolo de limpeza do ambiente, incluindo o uso de produto desinfetante concentrado "voltado para hospitais", é adotado.

Em caso de contaminação, foi designada uma sala reserva para cada faixa etária para que a outra sala passe por um processo intenso de limpeza. Se algum aluno demonstrar sintomas, ele é encaminhado a uma sala de isolamento até que o responsável o leve de volta para casa. Nesta escola, cerca de 80 dos mais de 300 alunos se sentiram confortáveis para retornar às atividades presenciais, segundo a direção.

"As crianças se sentiram menos apreensivas por conta das liberações que estão acontecendo aos poucos. (...) Mas sentimos que houve um retrocesso socioemocional, cognitivo", diz o diretor da escola, Rafael Bittencourt. Ele cita as diferenças entre a confiança dos pais que têm filhos nas rede pública e privada. "Fizemos uma pesquisa e vimos que 80% dos pais topavam voltar. Já na Prefeitura foi ao contrário: 80% não quer os filhos de volta na escola."

Sala "reserva" na Escola Primeiro Passo, em Santana de Paranaíba, na Grande São Paulo - Alex Tajra/ UOL - Alex Tajra/ UOL
Sala "reserva" na Escola Primeiro Passo, em Santana de Paranaíba, na Grande São Paulo
Imagem: Alex Tajra/ UOL

Na cidade, bairros pobres contrastam com condomínios luxuosos e as escolas públicas permanecem fechadas enquanto as particulares podem retornar, após investimento em adaptações e parcerias com hospitais privados.

Além de Santana de Parnaíba, as Prefeituras de Carapicuíba e Franco da Rocha também autorizaram a abertura de escolas particulares para acolhimento e reforço.

Itapevi e Barueri há tinham decidido que as escolas municipais permanecerão fechadas até 2021, enquanto as particulares podem funcionar.

Brinquedos passam por processo de limpeza

Um desafio para a retomada, diz Bittencourt, é trazer de volta aos alunos os processos de convívio e diálogo que são pilares para o desenvolvimento da educação infantil. Quando a reportagem esteve na escola, algumas crianças não usavam máscaras em determinados momentos. "Não tem como usar o tempo todo, às vezes as crianças tiram, é mais difícil para elas", diz o diretor.

Em cada sala da escola particular foi instalado um cesto com saco plástico para que, após as atividades, as crianças coloquem os brinquedos que utilizaram. As peças são desinfetadas e, depois, podem ser utilizadas novamente. Antes da reabertura, os pais foram convidados a visitar a escola para saber como seriam os protocolos.

"Fizemos treinamentos e cada professor tem o seu próprio álcool em gel", diz a coordenadora da escola, Rosana Imparato. "Se notar um nariz escorrendo, febre, ou uma crianças que está mais tristinha, eles avisam o mais rápido possível a direção para comunicarmos aos pais."

"Sala covid"

No Colégio Pentágono, que também voltou a receber alunos, quem entra na escola tem de preencher um questionário relatando se teve sintomas da covid-19 ou se teve contato com alguém contaminado nos últimos 14 dias. Um comitê de volta às aulas foi montado, e a escola contratou consultoria do Hospital Israelita Albert Einstein para auxiliar nos protocolos de higiene.

"Nós investimos muito em tecnologia. Por exemplo, em um sistema de captação de áudio para poder transmitir as aulas ao vivo para quem não quiser voltar nesse momento. Está sendo um laboratório para as outras unidades", diz Julia Cortier Fares, coordenadora de comunicação institucional do Pentágono e membro do comitê montado pela escola.

Sala de aula no Colégio Pentágono em Santana de Paranaíba; carteiras com "x" estão interditadas, e uma câmera foi instalada para transmitir as aulas - Alex Tajra/ UOL - Alex Tajra/ UOL
Sala de aula no Colégio Pentágono em Santana de Paranaíba; carteiras com "x" estão interditadas, e uma câmera foi instalada para transmitir as aulas
Imagem: Alex Tajra/ UOL

A escola recebeu na manhã de hoje menos alunos do que o esperado. No Ensino Infantil, foram 23 dos 55 cujos pais demonstraram interesse no retorno.

Uma "sala covid" foi montada e contará com um enfermeiro para atendimento em caso de suspeita. As salas foram transformadas em "bolhas" de 15 alunos. Se um deles for contaminado, os outros têm de fazer quarentena em casa por 15 dias.

A volta será escalonada: uma semana na escola e duas em casa. Hoje, foi o primeiro dia para alunos do Infantil Ensino Fundamental I; amanhã turmas do Fundamental II e do Ensino Médio retornam.

Para entender as principais lacunas de aprendizagem, que se intensificaram com a pandemia, a escola vai fazer uma sondagem das "habilidades essenciais" dos alunos, explica Viviane Polito, coordenadora pedagógica dos anos iniciais da unidade do Péntagono Alphaville (Santana de Paranaíba).

"Quem foca no conteúdo, no 'decoreba', e não nas habilidades das crianças, vai ter mais dificuldades", diz ela. Polito cita, no entanto, que algumas práticas só devem retornar no ano que vem, como a prática da letra cursiva. A caligrafia também foi citada como um processo de aprendizado incompatível com o ensino a distância.

"É um aprendizado que requer movimentos, que exige que o professor pegue na mão do aluno e faça o movimento junto. A tecla do computador não faz isso, não tem como fazer esse tipo de trabalho no online. E movimento errado você não tira nunca mais."

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