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BDRs ou ações lá fora: qual melhor opção para investir em empresa dos EUA?

do UOL

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

21/09/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Veja dicas de profissionais de mercado para investir em empresas dos EUA, comprando aqui ou no exterior
  • Novas regras facilitam investimento de brasileiros em BDRs, mas custo ainda é obstáculo
  • Bolsa reduz valor mínimo de negociação de BDR, mas aplicação inicial pode beirar até R$ 8.000
  • Com perdas recentes, ações americanas de tecnologia exigem maior cautela, dizem gestores

Os brasileiros vão ter mais facilidade para investir em empresas americanas depois que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mudou as regras para investimentos em BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Agora, esses títulos, que representam ações de companhias do exterior, poderão ser comprados por qualquer aplicador, e não apenas pelos chamados investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão para aplicar, como era antes.

Para o pequeno aplicador poder comprar os BDRs, falta apenas a B3, a Bolsa brasileira, definir as regras de negociação. Um dos desafios é reduzir os custos para o investidor de varejo, já que um papel desses chega a custar quase R$ 8.000, caso da Amazon.

Outro desafio para o pequeno aplicador é que essa mudança de regras para os BDRs chega justo no momento em que as ações das grandes empresas americanas de tecnologia que mais chamam atenção dos investidores —como Google, Apple, Facebook, Microsoft— estão passando por um momento de volatilidade e perdas. Isso reforça a necessidade de cautela, dizem gestores de recursos.

Bolsa reduz lote de negociação

Em busca de formas de reduzir os custos para atrair negócios para o BDR, a Bolsa decidiu, nesta quinta-feira (17), reduzir o lote mínimo de negociação. Em vez de 10 BDRs como lote padrão, o aplicador poderá negociar apenas um BDR de cada vez já a partir de 28 de setembro.

Faz sentido haver um mercado fracionário de BDRs, para permitir que a gente tenha liquidez. E, quanto maior o volume de negócios, maior a possibilidade de os bancos reduzirem os custos para os investidores.
Francine Balbina, especialista em investimentos globais da casa de análise Spiti

Segundo levantamento da empresa de análise financeira Economatica, o volume médio de negociação com os BDRs em 2020 está em R$ 59,8 milhões por dia, um aumento de 267% em relação à média diária de 2019, que foi de R$ 16,3 milhões.

"Esperamos que todos os brasileiros possam investir em ações internacionais já a partir de outubro", disse ao UOL o diretor de Produtos Listados da B3, Mario Palhares.

Volatilidade maior em setembro

O pequeno aplicador que decidir comprar BDR deve estar atento aos riscos desse negócio, em especial porque as empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão passando por um momento de volatilidade e perdas.

Os riscos são os mesmos de se investir em ações. É uma aplicação que deve ser vista com objetivo de longo prazo para evitar o risco de realizar um prejuízo numa situação de saque de curto prazo.
Roberto Indech, estrategista chefe da Clear Corretora

O comportamento do Nasdaq, índice da Bolsa eletrônica de Nova York, que melhor representa o setor de tecnologia, e do BDRx, índice dos BDRs negociados no Brasil, mostra isso. No acumulado em um ano, esses dois indicadores têm ganhos maiores que o SP500 (da Bolsa de Nova York que acompanha 500 empresas de diversos setores) e que o Ibovespa, das ações brasileiras. Mas, em setembro, a situação se inverteu.

"Isso está acontecendo porque estamos passando por uma mudança estrutural e as empresas de tecnologia terão um papel mais relevante. Mas não é uma bolha como a que vimos no início dos anos 2000. Hoje, as empresas de tecnologia já têm uma receita e um tamanho de mercado muito maior do que havia há 20 anos", afirmou o estrategista chefe da Clear Corretora, Roberto Indech.

É natural que haja ajustes no curto prazo depois de tantos ganhos. Mas, olhando o longo prazo, são as empresas que vão dominar a economia nessa quarta revolução industrial.
Roberto Lee, CEO da corretora americana Avenue

Comparando BDRs e ações compradas em Nova York

Veja abaixo algumas diferenças que o aplicador pode considerar na hora de escolher entre um BDR ou uma ação nos Estados Unidos. Há corretoras que oferecem ao aplicador brasileiro a possibilidade de fazer toda a transação —abertura de conta, envio do dinheiro, realização do câmbio, e liquidação do negócio— em apenas 30 minutos.

  • Quantidade de empresas: O número de BDRs para o varejo no mercado brasileiro é da ordem de 500, em comparação com mais de 5.000 ativos disponíveis no mercado americano.
  • Liquidez: Como o volume de negócios nos EUA é muito maior, o aplicador tem mais chance de vender seu ativo pelo preço desejado com maior rapidez.
  • Dividendos. Os dividendos pagos em dólares pelas companhias no exterior serão repassados aos investidores brasileiros pela empresa depositária dentro de um prazo de até 5 dias úteis para o pagamento. Nesse período, a taxa de câmbio pode mudar. Além disso, vários BDRs descontam 5% do valor recebido pelo acionista como taxa de processamento do pagamento.
  • Impostos: no Brasil, o investidor tem isenção da cobrança de impostos sobre ganhos de capital para vendas de ações até R$ 20 mil no mês, o que não se aplica a BDRs, que pagam alíquota de 15%. Já para o investir no exterior, esse limite aumenta para R$ 35 mil. Por outro lado, as regras tributárias nos EUA são diferentes das brasileiras e, por isso, o investidor deve estar bastante atento e solicitar ajuda de um profissional especializado para não ficar em falta com os governos.
  • Mercado fracionário: Nos Estados Unidos, o investidor pode comprar até menos que uma ação, investindo numa fração do papel. Isso reduz o valor da aplicação mínima. No Brasil, por enquanto, cada ordem de compra e venda tem que ser de ao menos 10 BDRs, o que encarece a operação.
  • Feriados: A Bolsa brasileira tem mais feriados que as americanas. Se o mercado lá fora tem um dia ruim justo na data em que é feriado no Brasil, o aplicador que investe em BDR corre o risco de não conseguir vender um papel que está em queda, tendo que esperar a reabertura do mercado brasileiro.
  • Moeda: Investir em BDRs é uma forma de comprar um recibo lastreado em dólar, mas com negócios feitos em reais. Investir em ações americanas diretamente via uma conta no exterior representa uma forma de aplicação totalmente atrelada ao dólar.
Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, a isenção da cobrança de impostos sobre ganhos de capital para vendas de até R$ 20 mil no mês não se aplica a BDRs. O texto foi corrigido.

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