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Saga do TikTok pode chegar ao fim com acordo envolvendo Oracle e Walmart

19/09/2020 21h56

Washington, 20 Set 2020 (AFP) - O popular aplicativo TikTok, sob ameaça de proibição nos Estados Unidos, pode continuar a ser baixado neste país: Donald Trump deu seu aval neste sábado a um projeto de acordo envolvendo Oracle e Walmart.

"Acho que será um negócio fantástico", disse o presidente republicano, antes de dirigir-se a um comício de campanha na Carolina do Norte.

"Eu dei minha aprovação ao negócio. Se eles conseguirem, melhor. Se não, tudo bem também".

A empresa, filial de um grupo chinês, confirmou logo em seguida que prepara um projeto que envolve a Oracle como parceira de tecnologia nos Estados Unidos e o Walmart como parceira de negócios.

O acordo também estabelece que as duas empresas americanas podem comprar até 20% das ações da TikTok antes de uma futura oferta pública.

"Estamos satisfeitos que a proposta da TikTok, da Oracle e do Walmart trate das preocupações de segurança levantadas pelo governo dos EUA e questões sobre o futuro da TikTok nos Estados Unidos", disse um porta-voz da empresa à AFP.

Caso se materialize, o acordo poderá dar fim a uma das muitas batalhas travadas atualmente entre Washington e Pequim.

Também pode permitir que os americanos continuem usando este aplicativo, muito popular entre os jovens.

"Em vista dos recentes desenvolvimentos positivos", o Departamento de Comércio anunciou que adiará a proibição de download do TikTok até pelo menos 27 de setembro, medida que entraria em vigor no domingo.

- Espionagem -Trump afirma há semanas que a TikTok, cuja empresa-mãe é a ByteDance da China, espiona em nome de Pequim, sem ter provado suas acusações publicamente.

Em nome da segurança nacional, no início de agosto Trump emitiu um decreto dando à ByteDance até 20 de setembro, ou seja, este domingo, o prazo para transferir as atividades da TikTok em solo americano para uma empresa "made in USA".

O aplicativo, que permite a veiculação de pequenos vídeos, muitas vezes musicais ou humorísticos, tem cerca de 100 milhões de usuários nos Estados Unidos.

Segundo o presidente americano, com o acordo entre TikTok, Oracle e Walmart, "a segurança será de 100%" e as empresas usarão "servidores separados".

A TikTok esclareceu que a Oracle seria responsável por hospedar todos os dados do usuário nos Estados Unidos e pela segurança dos sistemas de computador associados.

O acordo prevê ainda a contratação de 25 mil pessoas nos Estados Unidos e a manutenção da sede da empresa no país.

As empresas envolvidas farão também "uma doação de cerca de 5 bilhões de dólares" para "a educação dos jovens americanos", disse o presidente republicano, que havia insistido para que o governo fosse pago por autorizar o acordo.

Procuradas pela AFP, Oracle e Walmart não se manifestaram.

Na sexta-feira, o governo Trump anunciou que impediria o download do TikTok nos Estados Unidos a partir deste domingo, assim como o WeChat, um aplicativo da gigante chinesa Tencent usado para mensagens, compras, pagamentos e outros serviços, com cerca de 19 milhões de usuários em território americano.

- Sanções -A China reagiu vigorosamente neste sábado, denunciando "intimidações" por parte dos Estados Unidos e estabelecendo um mecanismo que permitirá restringir as atividades de empresas estrangeiras.

Uma lista de "entidades não confiáveis", que inclui empresas estrangeiras cujos nomes não foram divulgados publicamente, concentra possíveis sanções que vão desde multas até a restrição de atividades ou de entrada de equipamentos e pessoal na China.

Sua entrada em vigor é vista como uma resposta a uma lista semelhante estabelecida por Washington para excluir a gigante das telecomunicações chinesa Huawei do mercado americano e, em seguida, atacar os aplicativos TikTok e WeChat.

As negociações para o gerenciamento das atividades da TikTok nos Estados Unidos estavam paralisadas há várias semanas.

Um primeiro projeto envolvendo a Microsoft e a gigante da distribuição Walmart foi rejeitado pela China no último fim de semana, deixando o caminho aberto para a Oracle.

Um comitê de segurança nacional do governo dos Estados Unidos ficou encarregado de revisar a oferta que está sobre a mesa.

Legisladores republicanos alertaram sobre a aprovação de um acordo que colocaria a empresa sob controle chinês.

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