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Em campanha, Trump quer nomear rapidamente sucessor de RBG

19/09/2020 20h33

Washington, 19 Set 2020 (AFP) - O presidente Donald Trump defendeu neste sábado(19) a rápida substituição da falecida juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg, um ícone da esquerda americana, que abriu um campo potencial de disputa na reta final da eleição presidencial dos Estados Unidos em 3 de novembro.

A vontade declarada do presidente americano de agir rapidamente, apesar das críticas democratas, promete um final agitado para a campanha presidencial dos EUA.

"Teremos um indicado muito em breve", disse o presidente republicano antes de lançar um evento de campanha na Carolina do Norte. "Queremos respeitar o processo. Acho que será muito rápido", acrescentou Trump, observando que "provavelmente é uma mulher".

A juíza RBG, como era conhecida, morreu na sexta-feira aos 87 anos de câncer no pâncreas e gerou uma onda de consternação no país, assim como preocupação entre os democratas.

A chegada de um novo juiz nomeado por Donald Trump ancoraria a mais alta corte dos Estados Unidos no campo conservador por muito tempo.

Ginsburg era uma defensora da causa das mulheres, das minorias e do meio ambiente.

- 45 dias -A 45 dias das eleições, o candidato democrata Joe Biden e o ex-presidente Barack Obama se posicionam contra Trump, que busca a reeleição.

"Os eleitores devem escolher o presidente e o presidente deve propor um juiz ao Senado", disse Biden, que lidera Trump nas pesquisas.

Obama pediu a Trump que se abstenha de fazer uma indicação até que a votação aconteça.

Os nove membros do Supremo Tribunal de Justiça têm cargos vitalícios e Trump já indicou dois conservadores, fazendo que este campo conte com cinco ministros.

O que está em jogo é extremamente importante. Não só porque a mais alta corte do país é a chave para resolver questões polêmicas como o direito de portar armas ou os direitos dos homossexuais, mas também porque pode ser chamada para resolver disputas eleitorais, como aconteceu na eleição de 2000 finalmente vencida por George W. Bush.

No papel, nada impede que Trump indique o substituto de Ginsburg, que há meses estava com a saúde muito debilitada.

No início de setembro, Trump já tinha uma lista de 20 nomes para uma eventual vaga na Corte, entre eles figuravam os senadores ultraconservadores Ted Cruz e Tom Cotton.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse nesta sexta-feira que está disposto a dar início ao processo de nomeação.

Em circunstâncias semelhantes, há quatro anos, porém, ele bloqueou a nomeação de um juiz proposto por Obama.

- Equação complexa -Trump tem uma maioria republicana de 53-47 no Senado, mas a equação é complexa. Vários senadores republicanos moderados podem não aceitar sua proposta, especialmente aqueles cuja reeleição em estados politicamente moderados é muito difícil.

A primeira-dama, Melania Trump, se somou à comoção nacional.

A morte de RBG é "uma perda imensa", disse, elogiando sua "tenacidade e força", bem como o "intelecto e a compaixão" da juíza.

Desde a noite de sexta-feira quando foi anunciada a sua morte, centenas de pessoas se reuniram em frente ao prédio da Suprema Corte para homenagear RBG, nascida em 1933 em uma família judia e falecida no dia de Rosh Hashanah, o Ano Novo Judaico.

"Vim porque acredito que a RBG representa tudo pelo qual a América deve se mobilizar", disse Erin Dunn, uma estudante de 19 anos.

- Pioneira -Na manhã deste sábado, várias pessoas se aproximaram do prédio de mármore branco. Entre elas estava Kamala Harris, companheira de chapa de Biden.

"RBG foi para mim uma pioneira, um ícone, uma lutadora. Ela era uma mulher em todos os sentidos do termo", disse Harris à AFP.

Ruth Bader Ginsburg conquistou um lugar na história da conquista de direitos e do combate à discriminação.

Como advogada, ela obteve do Supremo Tribunal Federal o desmantelamento das leis discriminatórias contra as mulheres.

De sua cadeira no mais alto tribunal dos Estados Unidos, onde ingressou há 27 anos por proposta do presidente Bill Clinton, lutou pela igualdade das minorias sexuais e outras causas progressistas, como a defesa dos migrantes ou a proteção do meio ambiente.

Seu nome e imagem - expressão firme, gola de renda sobre o manto negro de magistrada e olhos por trás de enormes óculos - tornaram-se objeto de culto para feministas, tatuados nos braços ou estampados em bolsas.

Sua vida inspirou filmes, documentários e até livros infantis.

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