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"Atiraram de fuzil nas costas do meu irmão", diz parente de pedreiro morto

O pedreiro Francisco Paulo de Carvalho, de 57 anos, morreu após ser baleado durante um confronto entre policiais militares e criminosos no Rio de Janeiro - Arquivo pessoal
O pedreiro Francisco Paulo de Carvalho, de 57 anos, morreu após ser baleado durante um confronto entre policiais militares e criminosos no Rio de Janeiro Imagem: Arquivo pessoal
do UOL

Tatiana Campbel

Colaboração para o UOL, no Rio

19/09/2020 16h09

Um pedreiro de 57 anos morreu após um confronto entre a Polícia Militar e criminosos do Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio de Janeiro, no fim da tarde de ontem. Francisco Paulo de Carvalho estava em uma lanchonete quando foi atingido nas costas. O homem chegou a ser levado por familiares para o hospital, mas não resistiu. Na ação, um outro morador e um policial militar ficaram feridos.

Ao longo da manhã e tarde de hoje, familiares do pedreiro estiveram no Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, para fazer o reconhecimento do corpo. O irmão da vítima, Francisco Alves de Carvalho, acusou a PM de atirar contra o pedreiro e disse que os agentes se recusaram ajudar no socorro.

"Nós conseguimos pegar a cápsula que atingiu ele e só vamos devolver quando a Polícia Civil nos chamar pra prestar depoimento. Atiraram de fuzil nas costas do meu irmão. Na hora, meu sobrinho ainda perguntou para os policiais se eles não iriam socorrê-lo, e os PM's falaram que 'isso acontece'. Atiraram nele covardemente. Sempre fomos muitos batalhadores e acontece isso. Ele era uma pessoa muito querida, sempre trabalhou como pedreiro, sempre trabalhou com carteira assinada. Ele parou de trabalhar para comprar um lanche e foi nesse momento que ele foi atingido. Todos na comunidade conheciam e gostavam dele."

Pelas redes sociais, moradores do Complexo do Lins relataram o intenso confronto. Uma moradora da região, que pediu para não ser identificada, falou que todos os dias acontecem tiroteios:

"Meu neto foi na padaria pra comprar um doce e quando ele chegou, começaram os tiros de fuzil. Na hora eu só pensei em sair correndo pra encontrar ele. Ele tem 11 anos, estava morrendo de medo. Foram muitos, mas muitos tiros mesmo. O sentimento de medo é constante. Eu só moro aqui por falta de opção. Se eu, adulta, já fico apavorada, imagina como estavam as crianças. Nós não temos paz", declarou a moradora.

O outro morador baleado no confronto foi Ayrton Araújo Rangel. Ele está internado no Hospital Municipal Salgado Filho e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, segue em observação com quadro de saúde estável.

Polícia apura o caso

A Polícia Militar informou que "o comando da Coordenadoria de Polícia Pacificadora abriu um procedimento apuratório para verificar as circunstâncias do fato". Em nota, a corporação disse ainda que equipes da Unidade de Polícia Pacificadora do Lins foram atacadas por criminosos durante um deslocamento.

"A Assessoria de Imprensa informa que o comando da Coordenadoria de Polícia Pacificadora abriu um procedimento apuratório para verificar as circunstâncias do fato. A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar esclarece que, equipes da UPP/Lins, quando em deslocamento pela rua Zizi, na sexta-feira (18/9), para a base "Cachoeirinha", foram atacados por disparos de arma de fogo feitos por marginais da Comunidade conhecida como "Gambá". Um policial - atingido nas nádegas - e um outro homem ficaram feridos. Ambos foram socorridos ao Hospital Marcílio Dias, onde receberam atendimento médico. Um outro homem foi socorrido ao Hospital Municipal Salgado Filho, mas não resistiu aos ferimentos"

A investigação está com a Delegacia de Homicídios da capital fluminense. De acordo com a Polícia Civil, a perícia foi realizada no local e agentes realizam diligências para localizar provas que esclareçam os fatos. Testemunhas e familiares serão chamados pra prestar depoimento.

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