PUBLICIDADE
Topo

Notícias

Atos antidemocráticos: PF apura vínculo de alvos com Ministério de Damares

Sara Winter, durante manifestação do grupo 300 do Brasil, em Brasília - Getty Images
Sara Winter, durante manifestação do grupo 300 do Brasil, em Brasília Imagem: Getty Images
do UOL

Do UOL, em São Paulo

18/09/2020 20h38

O ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirmou hoje que seus funcionários estão "tranquilos" para prestar esclarecimentos à Polícia Federal, que investiga se o governo federal financiou sites que propagaram atos antidemocráticos, pedindo a volta da ditadura militar, o fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ao menos três dos investigados têm ou já tiveram ligação com o Ministério comandado por Damares Alves: a ativista de extrema direita Sara Geromini, também conhecida como Sara Winter; a funcionária da pasta Sandra "Terena" Mara Volf Pedro Eustáquio e Renan Sena, que atuou como terceirizado.

"A ex-servidora Sara Giromini e o ex-funcionário terceirizado Renan Sena, quando indiciados, não pertenciam mais ao quadro funcional do MMFDH. Desconhecemos qualquer investigação que envolva a secretária Sandra Terena. Todos os membros deste Ministério estão tranquilos para prestar qualquer informação que se fizer necessária para que os fatos sejam elucidados."

Produzido há dois meses, o relatório do inquérito 4828 tem como base informações da CPMI das Fake News e averigua se o método de distribuição de publicidade feito pelo governo permitiu, "por culpa ou omissão deliberada", que dinheiro público fosse parar em sites que, intencionalmente, fazem propaganda de atos contra a democracia.

Coordenadora do grupo "300 do Brasil, Sara Geromini foi considerada integrante de uma milícia armada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Ela chegou a ser presa pela Polícia Federal este ano na "Operação Lume", que invetiga o financiamento e a organização de atos antidemocráticos. A ativista trabalhou no Ministério dos Direitos Humanos e foi exonerada em 15 de outubro de 2019, segundo o relatório da Polícia Federal.

Sara foi alvo de um mandato de busca em apreensão no final de maio e teve confiscados um computador e um celular. Na ocasião, foram cumpridos 29 mandados. Entre os alvos, nomes como o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), o empresário Luciano Hang e o blogueiro Allan dos Santos. Depois da ação, Sara iniciou uma série de ataques contra o STF e Moraes, falando em persegui-lo e "trocar socos" com ele.

Outro nome com "vínculos não esclarecidos", segundo a PF, é o da secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Sandra Terena. Ela é casada com Oswaldo Eustáquio, que foi assessor de Damares durante o governo de transição e também é investigado pela Operação Lume.

Além de ter defendido a soltura de Sara em suas redes sociais, Eustáquio apareceu em uma live com o ex-deputado condenado no mensalão Roberto Jefferson, quando o político defendeu que haveria uma tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro (sem partido). A conversa ao vivo foi retransmitida pelas redes sociais do presidente. O blogueiro foi preso em junho após suspeita de fuga do país e solto dias depois.

Os policiais investigam ainda o terceirizado Renan da Silva Sena, que agrediu verbalmente e cuspiu em enfermeiras que faziam uma manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em maio. O ato foi realizado em memória de profissionais que morreram em decorrência da covid-19, mas foi interrompida por Renan e mais uma mulher, que se declaravam contrários ao isolamento social.

Notícias