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EUA: Policial que mandou cachorro atacar homem negro será investigado

Homem é atacado por cão da polícia, nos Estados Unidos - Reprodução/YouTube
Homem é atacado por cão da polícia, nos Estados Unidos Imagem: Reprodução/YouTube
do UOL

Do UOL, em São Paulo

18/09/2020 22h23

O policial norte-americano que mandou seu cachorro atacar um homem negro vai ser acusado de agressão, confirmaram as autoridades de Salt Lake City, em Utah. O homem atacado estava ajoelhado e com as mãos levantadas no momento da ação.

As informações são do jornal The New York Times. O policial de Salt Lake, Nickolas Pearce, 39, agora enfrenta uma acusação de agressão agravada, crime de segundo grau.

Segundo o Tribunal de Salt Lake, que julgou o caso, Pearce e colegas estavam atendendo a uma denúncia de violência doméstica. Em vídeo, obtido pela câmera acoplada ao uniforme do policial, é possível ver o momento em que Pearce se aproxima de Ryans com seu cachorro. O homem estava parado perto de uma cerca, que dava acesso a um gramado. Imediatamente, o policial grita para que Ryans se abaixar "ou será mordido".

Ele cumpre as ordens do policial, que manda o cachorro atacar. "Eu estou no chão, estou no chão. Por que você está me mordendo?", grita Ryans. Ele chega a deitar de bruços no chão enquanto grita e se contorce de dor. Nesta hora, Pearce diz repetidamente ao seu animal: "bom garoto".

De acordo com os documentos do Tribunal, Ryans foi transportado a um hospital para receber tratamento. Lá, precisou de uma cirurgia que resultou em uma "perda prolongada do uso" de sua perna esquerda, além de outras complicações e cicatrizes.

A lei estadual de Utah permite que os policiais usem a força, mas "quando você cruza esse limite, precisa ser responsabilizado, assim como qualquer outra pessoa", disse Sim Gill, o promotor distrital de Salt Lake County, em uma entrevista anteontem.

A agressão com agravantes acarreta em uma pena máxima de 15 anos de prisão. O policial Pearce, que é branco e está na força há 14 anos, foi colocado em licença administrativa em agosto e permanece afastado.

Para o Tribunal, Ryans disse que estava saindo para trabalhar como engenheiro de trem quando a polícia apareceu. "Eu não estava correndo", disse ele. "Eu não estava lutando. Eu estava apenas cooperando: sempre coopere com a polícia, não importa o que aconteça."

Com a repercussão do caso, a prefeita de Salt Lake City, Erin Mendenhall, decidiu suspender o uso de cães policiais para interagir com suspeitos, enquanto aguarda uma revisão de políticas. "Estou perturbada com o que vi naquele vídeo, frustrada com a forma como a situação foi tratada e estou empenhada em trabalhar para garantir que não aconteça novamente", tuitou Mendenhall em 12 de agosto.

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