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Em vídeo, Witzel faz apelo a parlamentares contra processo de impeachment

do UOL

Tatiana Campbel

Colaboração para o UOL, no Rio

16/09/2020 19h19

O governador afastado do Rio, Wilson Witzel, enviou um vídeo fazendo um pedido aos deputados estaduais para que eles votem contra o andamento do processo de impeachment. Está marcada para amanhã a votação da comissão especial da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Witzel fez um apelo para que os parlamentares o deixem terminar o mandato.

No início do vídeo, Witzel fala que foi afastado do cargo sem ter o direito de defesa. O ex-juiz faz críticas ao Ministério Público Federal que, segundo ele, apresentou acusações "levianas" contra ele. Wilson Witzel falou ainda, em um tom firme, que nunca praticou ato irregular.

"No nosso governo, eu combati a corrupção. Eu combati o crime organizado. A corrupção que vinha há anos no estado do Rio de Janeiro, que não seria retirada de uma hora para outra, tentou se instalar no nosso governo. Mas aqui foi rapidamente descoberta. Todas as acusações levianas contra mim serão desmascaradas, mas até o momento eu não tive meu direito de defesa", diz Witzel.

O governador afastado finaliza o vídeo pedindo que ele possa terminar o mandato e faz um apelo à Alerj:

"Hoje, eles querem me destruir. Eles querem que o parlamento do estado do Rio de Janeiro, induzido em erro, me tire do governo do estado, para que não atrapalhe mais aquilo que ele vem fazendo há anos. Dizem que eu recebi milhões de reais em corrupção, só que até agora, o que encontraram são rendimentos declarados no meu imposto de renda e totalmente tributados pela Receita Federal. Jamais, nem como juiz, nem como governador pratiquei qualquer ato de corrupção. Eu peço ao povo do Rio de Janeiro e ao Parlamento que não deixe acontecer. O governador Wilson Witzel precisa terminar o seu mandato", finaliza o ex-juiz federal.

O deputado e relator do impeachment, Rodrigo Bacelar (SDD), disse que houve um vazamento inesperado do teor do documento e, por isso, só irá se manifestar sobre o processo amanhã:

"A entrega do relatório que produzi, após intenso trabalho nesses últimos dias, se deu na segunda-feira, dia 14, com antecedência, ou seja, antes do prazo estipulado. Até a sua votação, que ocorrerá amanhã (17), quinta-feira feira, em sessão plenária na Alerj, não posso me manifestar por respeitar a ampla defesa e o contraditório a ser exercido na Comissão, além, inclusive, de poder haver voto divergente ao meu parecer. Além disso, houve um vazamento inesperado do teor do documento, ato que não tive qualquer responsabilidade e, em função deste fato, só farei as considerações em entrevistas somente amanhã, após a votação do relatório que encaminhei à Comissão que analisa o impeachment do governador Wilson Witzel", finalizou o deputado.

Caso a maioria dos 25 integrantes da comissão processante seja favorável ao relatório, ele será incluído na pauta de votações do plenário da Alerj, que está prevista para acontecer na próxima quarta-feira (23). A defesa de Wilson Witzel pediu esclarecimentos à comissão que analisa o processo de impeachment. Entre algumas perguntas, os advogados querem saber se o governador afastado poderá se defender oralmente e se testemunhas serão ouvidas.

Wilson Witzel foi afastado do cargo, por determinação do Superior Tribunal de Justiça, por 180 dias suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção na saúde do Rio.

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